O Brasil vive um momento relevante nas relações comerciais internacionais após a aprovação, nesta sexta-feira (9), do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE), considerado um marco para o comércio global e um dos tratados mais esperados dos últimos 26 anos. A decisão foi tomada pelos países da UE que compõem o Conselho Europeu, abrindo caminho para a assinatura formal do texto — prevista para a próxima semana em evento no Paraguai — e sua posterior ratificação pelos parlamentos dos blocos envolvidos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saudou a aprovação europeia como um passo importante para o multilateralismo e para a inserção do Brasil em cadeias econômicas globais mais amplas, ressaltando o significado estratégico da parceria.
“Dia histórico para o multilateralismo. Após 25 anos de negociação, foi aprovado o Acordo entre Mercosul-União Europeia, um dos maiores tratados de livre comércio do mundo. A decisão chancelada pelo lado europeu une dois blocos que, juntos, somam 718 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22,4 trilhões”, afirmou Lula em suas redes sociais.
Paralelamente, lideranças no Congresso Nacional vêm articulando esforços para que a tramitação do acordo no Parlamento brasileiro ocorra com celeridade, com o objetivo de aprová-lo até julho deste ano, antes da paralisação prevista por causa das eleições de outubro.
Acordo aprovado na União Europeia
Representantes dos 27 Estados-membros da União Europeia deram sinal verde ao pacto comercial com o Mercosul em reunião de diplomatas em Bruxelas.
“Hoje é um bom dia para a Europa e para os nossos parceiros do Mercosul”, afirmou a autoridade europeia, por meio de nota.
Com o ok dado, foi sinalizada a intenção de avançar com a assinatura do tratado já na próxima segunda-feira (12), no Paraguai, que atualmente ocupa a presidência rotativa do bloco sul-americano.
A iniciativa cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo mais de 700 milhões de consumidores e potencial para fortalecer fluxos de bens e serviços entre América do Sul e Europa. Para que o acordo entre definitivamente em vigor, ainda será necessária a aprovação do Parlamento Europeu e a ratificação por parte dos países membros do bloco europeu, além da tramitação legislativa nos países do Mercosul.
Lula destaca importância do pacto
O presidente Lula e membros do governo ressaltaram a dimensão geopolítica da parceria, defendendo o multilateralismo em um contexto global marcado por tensões protecionistas.
“O acordo é uma sinalização em favor do comércio internacional como fator para o crescimento econômico, com benefícios para os dois blocos”, declarou o presidente.
A expectativa de Brasília é que o acordo contribua para diversificar mercados e gerar mais oportunidades para setores como agropecuária, indústria e serviços brasileiros.
Especialistas e representantes do setor produtivo apontam que a implementação do acordo poderá impulsionar exportações e investimentos, inserindo o Brasil de maneira mais robusta nas cadeias de valor globais e reduzindo barreiras comerciais históricas com a Europa.
Articulação no Congresso para aprovação até julho
Segundo informações da coluna do jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, parlamentares brasileiros já começaram articulações para dar prioridade à análise e aprovação do acordo no Legislativo nacional, com a meta de concluir o processo até julho de 2026. Isso ocorre em meio à preocupação de que a agenda legislativa fique mais lenta com a proximidade das eleições de outubro, período em que as atividades da Câmara e do Senado tendem a ser reduzidas.
O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, afirmou estar comprometido com a tramitação rápida da proposta para atender às demandas do setor produtivo e garantir que o Brasil aprove o pacto ainda no primeiro semestre.
“Meu compromisso é dar a celeridade que o setor produtivo exige. Meu foco de atuação é trabalhar para que esse acordo seja aprovado até julho”, disse o senador.
A aprovação europeia e a movimentação no Congresso brasileiro representam avanços significativos para um acordo negociado por mais de duas décadas, que promete reconfigurar a dinâmica comercial entre América do Sul e Europa e fortalecer a integração econômica em um cenário de desafios e oportunidades globais.









