O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta segunda-feira (12), decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, segundo ele, estão prejudicando sua campanha à reeleição. Lula também questionou a atuação do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, e cobrou tratamento igualitário entre os candidatos que disputam o segundo turno presidencial.
As declarações ocorreram após uma missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, no Palácio da Alvorada, em Brasília. O presidente reagiu à decisão de Nunes Marques que determinou a suspensão do canal de WhatsApp "Exército do Lula", criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), após uma ação apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
"O que não pode é o presidente da Suprema Corte eleitoral ter lado na política. O lado dele tem que ser o da igualdade de comportamento. Da igualdade de procedimento", afirmou Lula.
O petista também declarou que a Justiça Eleitoral estaria ultrapassando limites em decisões relacionadas à sua candidatura.
"Acho que eles estão extrapolando em algumas decisões contra a minha campanha, isso é visível e já foi denunciado", disse.
O canal "Exército do Lula" reúne mais de 3 milhões de seguidores e é utilizado para mobilização política. A campanha de Flávio Bolsonaro pediu sua suspensão sob a alegação de disseminação de informações falsas contra o candidato do PL.
A determinação de Nunes Marques, no entanto, foi posteriormente revertida pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que autorizou o restabelecimento provisório do canal e encaminhou o caso para análise do plenário do TSE.
Em tom de ironia, Lula afirmou que pretende ampliar a mobilização digital. "Eu não vou criar só o Exército do Lula, eu vou criar o Exército, a marinha, a aeronáutica do Lula no WhatsApp", declarou.
A controvérsia ocorre em meio ao aumento das disputas judiciais entre as campanhas presidenciais. Reportagens também apontam críticas à velocidade e ao tratamento dado a ações apresentadas pelos dois candidatos. Nunes Marques nega favorecimento político e sustenta que segue os procedimentos legais.
O presidente do TSE convocou representantes das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro para uma reunião nesta terça-feira (13), com o objetivo de discutir os conflitos jurídicos às vésperas do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

