Com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) confirmados no segundo turno da eleição presidencial, uma das principais questões da disputa passa a ser o destino dos milhões de votos dados aos candidatos que ficaram pelo caminho.
Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. A diferença entre os dois foi de aproximadamente 2,22 milhões de votos. Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), por sua vez, somaram mais de 8,7 milhões de votos.
Até esta segunda-feira (5), nenhum dos três havia declarado apoio a Lula ou Flávio. As posições adotadas, porém, foram diferentes.
Renan Santos, que recebeu 2,24% dos votos válidos, foi o mais enfático. O candidato do Missão descartou fazer campanha para qualquer um dos dois e deixou seus eleitores livres para decidir.
“Façam o que quiserem. Eu já avisei que eu não voto em bandido”, declarou Renan, que, em seguida, chamou Lula e Flávio de “bandidos”. A afirmação é uma declaração política de Renan Santos, reproduzida aqui de forma atribuída.
Augusto Cury, terceiro colocado, com 2,89%, também não declarou apoio. O escritor afirmou que pretende se manter em silêncio durante o segundo turno e disse que ninguém está autorizado a anunciar apoio em seu nome. Cury também sinalizou que pretende deixar a vida político-partidária.
Em mensagem após a eleição, Cury evitou indicar um candidato aos seus eleitores e afirmou que torce para que o vencedor governe pensando em “um Brasil de esperança”. Também colocou as propostas apresentadas durante sua campanha à disposição do próximo presidente.
Já Ronaldo Caiado, que obteve 2,18% dos votos válidos, afirmou inicialmente que conversaria com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, antes de anunciar uma posição. O partido decidiu manter a neutralidade nacional e liberar diretórios estaduais, parlamentares, lideranças, filiados e militantes para definirem seus próprios apoios.
Assim, os votos conquistados por Cury, Renan e Caiado não chegam ao segundo turno acompanhados de uma orientação conjunta em favor de Lula ou Flávio. A decisão ficará, em grande medida, nas mãos dos próprios eleitores na votação marcada para 25 de outubro.

