O corpo de Miguel Abdalla Neto, tio materno de Suzane von Richthofen, foi encontrado sem vida na última sexta-feira (9) dentro da residência em que vivia no bairro Vila Congonhas, na zona sul de São Paulo. O caso, registrado inicialmente como morte suspeita, reacende a atenção da imprensa e da população para a família marcada por um dos crimes mais emblemáticos da história criminal brasileira.
Descoberta do corpo e primeiros indícios
O médico de 76 anos estava há cerca de dois dias sem dar notícias quando vizinhos e funcionários estranharam sua ausência e acionaram a Polícia Militar. Ao entrarem no imóvel situado na Rua Baronesa de Bela Vista, os agentes localizaram o corpo já em estado de decomposição. Não foram observados sinais aparentes de violência ou arrombamento no local.
A ocorrência foi registrada no 27º Distrito Policial (Campo Belo), e a Polícia Civil requisitou perícia e exame necroscópico no Instituto Médico Legal (IML) para esclarecer as circunstâncias e a causa da morte, que ainda não foi oficialmente determinada.
“O corpo foi encontrado dentro do imóvel, sem indícios de crime, mas registramos a ocorrência como suspeita e requisitamos perícia para apurar o que realmente ocorreu”, informou a Polícia Civil em nota.
Quem era Miguel Abdalla
Miguel Abdalla Neto era médico e figura conhecida dentro da dinâmica familiar dos Richthofen. Ele era tio materno de Suzane e de seu irmão Andreas von Richthofen, assumindo a tutela legal de Andreas após o assassinato de Marísia e Manfred von Richthofen, em 2002 — crime cometido por Suzane em conjunto com os irmãos Cravinhos.
Após o duplo homicídio e a condenação de Suzane por duplo homicídio triplamente qualificado, com pena de 39 anos e 6 meses, Miguel teve papel central na administração dos bens da família como inventariante do espólio, função que posteriormente passou a Andreas, quando atingiu a maioridade.
“Ele foi peça importante não só na vida de Andreas, mas também na condução dos bens da família após o crime que marcou o país”, destacou a coluna assinada por Fábia Oliveira.
Em 2006, Miguel chegou a relatar à Justiça que teria visto Suzane rondando sua residência, episódio que motivou o Ministério Público de São Paulo a pedir, à época, a prisão preventiva da condenada.
Investigação em andamento
Embora ainda não haja confirmação oficial sobre a causa da morte, a forma como o corpo foi encontrado e o estado do imóvel indicam, até o momento, ausência de sinais de crime violento. O laudo do IML deverá apontar se a morte foi natural, súbita ou decorrente de algum problema de saúde.
O caso volta a colocar a família Richthofen no centro do noticiário e reacende lembranças de um crime que marcou o país, levantando novamente debates sobre violência, heranças e os impactos familiares deixados por tragédias de grande repercussão nacional.









