Um pastor evangélico de Mato Grosso do Sul, que não teve a identidade revelada, foi condenado a 71 anos, sete meses e 22 dias de reclusão, inicialmente em regime fechado, por estuprar a própria filha por cerca de uma década.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o réu utilizava de sua "autoridade espiritual" para silenciar a família. Ele abusava da filha desde 2017, quando ela tinha apenas 13 anos de idade.
Investigações apontaram que ele se aproveitava dos momentos em que ficava sozinha da menina para cometer os crimes, e em alguns casos, chegou até a dopar outros membros da família para garantir a impunidade.
Além disso, a mantinha em cárcere e isolamento, proibindo-a de visitar familiares, além de lhe causar danos emocionais, por meio de desqualificações públicas, chamando-a de "mentirosa" e "vagabunda", com o objetivo de desacreditar suas denúncias.
O Promotor de Justiça Bolivar Vieira, titular da 65ª Promotoria de Justiça, destacou ainda que, após o falecimento da mãe da vítima, em 2021, o pastor intensificou o horror, forçando a filha a assumir um papel de "esposa" dentro da residência.
Na sentença, a juíza Adriana Lampert, da 2ª Vara da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, acolheu a tese do Ministério Público, condenando o réu pelos crimes de estupro de vulnerável (reiteradas vezes); estupro qualificado (vítima menor de 18 anos); estupro (após a maioridade da vítima); perseguição (Stalking); e violência psicológica contra a mulher.
Além da prisão, o réu foi condenado ao pagamento de uma indenização mínima de R$ 10.000,00 por danos morais à vítima, valor que não exclui futuras reparações na esfera cível.











