quarta, 17 dezembro 2025

Sem Desconto

há 1 mês

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Operação da PF mira desvios de aposentadorias e atinge ex-presidente do INSS

"Operação Sem Desconto" cumpre mais de 60 mandados e revela estimativa de prejuízo superior a R$ 6 bilhões

Atualizado: há 1 mês

Ricardo Prado


Uma nova etapa da Operação Sem Desconto foi deflagrada nesta quinta-feira (13) pela Polícia Federal em conjunto com a ControladoriaGeral da União. A ação investiga um esquema nacional de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, que teriam ocorrido entre 2019 e 2024. Ao todo, foram expedidos 63 mandados de busca e apreensão e 10 mandados de prisão preventiva em 15 estados da federação e no Distrito Federal. Intermediários e dirigentes públicos estariam entre os alvos. As investigações apontam que os prejuízos aos cofres públicos podem ultrapassar R$ 6,3 bilhões.

Alvo de alto escalão

Um dos principais alvos da operação é Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, preso durante a ação desta manhã. Stefanutto esteve à frente da autarquia de julho de 2023 até abril de 2025, quando foi demitido após o escândalo vir à tona. Antes disso, já havia ocupando cargos de direção na entidade e na procuradoria federal. Segundo seu currículo, ele é graduado em Direito pela Universidade Mackenzie e mestre em Gestão e Sistema de Seguridade Social pela Universidade de Alcalá, na Espanha.

“Os alvos investigados são suspeitos de inserção de dados falsos em sistemas públicos, organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva, além de atos de ocultação e dilapidação patrimonial”, informou a PF em nota oficial.

Como funcionava o esquema

De acordo com os órgãos de controle, entidades associativas sem autorização formal teriam realizado descontos diretamente nos benefícios de pensionistas e aposentados, muitos dos quais sequer teriam ciência dos débitos. Essas cobranças eram apresentadas como “mensalidades associativas” em troca de supostos serviços jurídicos ou convênios de saúde, mas não tinham estrutura ou autorização adequada — levantando suspeitas de forte fraude sistêmica.

Impacto sobre os segurados

Dados preliminares revelam que cerca de 6 milhões de beneficiários declararam não reconhecer os descontos aplicados em seus pagamentos. Desses, 4,8 milhões estão aptos a requerer devolução dos valores desde que comprovem a irregularidade. O governo federal prorrogou o prazo para contestação até 14 de fevereiro de 2026.

Repercussão institucional

A prisão de Stefanutto e os desdobramentos da investigação provocam instabilidade institucional para o INSS e para o governo, uma vez que envolvem uma figura de comando da autarquia e revelam fragilidades em mecanismos de fiscalização interna. A operatividade das entidades associativas e a confiabilidade do sistema previdenciário ficam sob pressão.

Próximos passos

A operação prosseguirá com quebras de sigilo telefônico, bancário, apreensão de bens e interrogatórios. A expectativa da PF é aprofundar os vínculos entre entidades associativas, agentes públicos e beneficiários — buscando responsabilização judicial dos envolvidos.

Com isso, a operação marca mais um capítulo no combate a fraudes previdenciárias e evidencia os desafios na proteção dos recursos públicos e da confiança dos segurados no sistema.
 

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