O Ministério Público de Mato Grosso do Sul formalizou denúncia contra o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, acusado de homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo. O caso envolve a morte do servidor público Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, atingido por disparos em 23 de março, em um imóvel na Rua Antônio Maria Coelho, na Capital.
Segundo a acusação, apresentada na sexta-feira (10), o crime teria sido cometido por “motivo torpe, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, bem como contra pessoa maior de 60 anos”. O promotor sustenta que Bernal agiu movido por vingança, após não aceitar a perda do imóvel onde ocorreu o homicídio.
Além disso, o Ministério Público aponta que não havia relação prévia entre os envolvidos, que passaram a ter contato apenas após a aquisição da casa por Mazzini. Também foi destacado que a arma utilizada estava com registro vencido desde dezembro de 2018 e com porte expirado em março de 2019. A denúncia inclui pedido de indenização equivalente a 10 salários mínimos por danos causados.
A defesa do ex-prefeito informou que só irá se manifestar nos autos do processo.
Perícia aponta disparos em sequência e à queima-roupa
Levantamento pericial indica que a vítima foi atingida por três disparos, sendo encontrada caída próxima à entrada do imóvel. Um dos tiros apresentou trajetória de entrada e saída, e não foram identificados sinais de luta ou tentativa de defesa.
O projétil que atravessou o corpo foi localizado em uma parede próxima à porta. De acordo com a análise técnica, o primeiro disparo ocorreu a certa distância, ainda na área externa da residência.
“Analisando-se o trajeto no corpo e os vestígios encontrados no local, pode-se inferir que o primeiro disparo de arma de fogo foi realizado à longa distância, quando o autor estava posicionado pouco após a primeira coluna da varanda (levando-se em consideração quem está entrando no imóvel) e a vítima estava em frente à mureta onde o projétil propelido por arma de fogo foi encontrado, em pé e parcialmente voltado para sua lateral direita”, argumentou a perícia.
Já o segundo tiro não foi registrado pelas câmeras de segurança, devido a um ponto cego. Ainda assim, os peritos concluíram que ele foi efetuado quando a vítima já estava caída, com o autor próximo, caracterizando disparo à queima-roupa.
Dinâmica do caso e versões divergentes
Documentos indicam que o imóvel havia sido adquirido por Mazzini em fevereiro deste ano, pelo valor de R$ 2,4 milhões, em negociação formalizada em cartório. No dia do crime, ele esteve na residência acompanhado de um chaveiro para tomar posse.
Imagens de segurança registraram a chegada de Bernal ao local. Segundo a investigação, ele desceu do veículo armado, entrou no imóvel e efetuou disparos.
Em depoimento, o chaveiro afirmou: “Roberto não teve tempo de responder, nem explicar o que estava fazendo na casa, pois o autor já efetuou um disparo em direção à vítima, que caiu ao solo do lado do depoente.”
Já Bernal declarou à polícia que agiu “em legítima defesa”, alegando ter sido ameaçado pela vítima. A versão, no entanto, diverge das imagens analisadas durante a investigação.
Após o ocorrido, o ex-prefeito se apresentou em uma delegacia da Capital e, posteriormente, foi encaminhado a outra unidade policial, onde permanece preso desde então.











