quarta, 17 dezembro 2025

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Gaeco desmonta megaesquema de tráfico de drogas comandado de dentro de presídios em MS

Operação Blindagem cumpre dezenas de mandados e revela envolvimento de servidores públicos e ligação com o PCC em rede criminosa que atuava em oito estados

Atualizado: 07/11/2025 09:37

Suelen Morales

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta sexta-feira (7) a Operação Blindagem, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa que operava o tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, comércio ilegal de armas e corrupção ativa e passiva. O grupo era comandado de dentro de presídios e mantinha uma rede estruturada em 12 cidades de Mato Grosso do Sul e oito estados brasileiros.

As investigações, que duraram cerca de 25 meses, revelaram que a organização enviava drogas para diversos estados, entre eles São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia, Acre, Maranhão e Goiás. Para ocultar os entorpecentes, o grupo utilizava caminhões com fundos falsos, transportando alimentos com nota fiscal regular para disfarçar a carga. Também foram identificados envios de drogas pelos Correios, em veículos de passeio e até por passageiros de vans.

A operação constatou ainda forte vínculo com o Primeiro Comando da Capital (PCC), que fornecia apoio logístico e impunha punições violentas a devedores. Integrantes do grupo também praticavam extorsões armadas e usura, exigindo o pagamento de dívidas geradas pelo tráfico.

O ponto de partida da investigação foi a apreensão de um celular usado pelo líder do grupo dentro de uma cela. A análise do aparelho revelou um esquema de corrupção de servidores públicos, que garantiam ao detento acesso a celulares, informações sigilosas e permanência em presídios de menor segurança, de onde coordenava as atividades criminosas.

Nesta sexta-feira, a operação cumpre 35 mandados de prisão preventiva e 41 de busca e apreensão em cidades de Mato Grosso do Sul — como Campo Grande, Aquidauana, Sidrolândia, Jardim, Bonito, Ponta Porã e Corumbá — e nos estados de São Paulo e Santa Catarina. A ação conta com o apoio da Polícia Militar, da AGEPEN, da Polícia Civil e de unidades do Gaeco nos estados envolvidos, além da presença de representantes da OAB/MS.

O nome “Blindagem” faz referência à proteção que os criminosos recebiam dentro do sistema prisional, resultado da corrupção de servidores que facilitavam transferências, garantiam privilégios e forneciam informações restritas aos líderes da organização.

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