quarta, 11 março 2026

Polícia

29/01/2026 20:00

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Gaeco denuncia Rogério de Andrade e executa mandados em presídio federal de Campo Grande

Contraventor e dois policiais militares aposentados são acusados de integrar organização criminosa ligada ao jogo do bicho e à corrupção; ações fazem parte da Operação Petrorianos

Atualizado: 29/01/2026 12:06

Ricardo Prado

O Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentou denúncia à Justiça contra o contraventor Rogério Costa de Andrade, apontado como um dos principais líderes do jogo do bicho no país. Ele é acusado de integrar uma organização criminosa dedicada à exploração ilegal de jogos de azar e à prática de corrupção ativa. Atualmente custodiado na Penitenciária Federal de Campo Grande, Rogério foi alvo de mandados judiciais cumpridos nesta quinta-feira (29) dentro da unidade.

A acusação também inclui dois policiais militares aposentados, Marcos Antônio de Oliveira Machado, conhecido como “Machado”, e Carlos André Carneiro de Souza, o “Carneiro”. Segundo o Ministério Público, ambos atuariam como integrantes da equipe de segurança pessoal do contraventor e de seus familiares.

Operação Petrorianos avança para a segunda fase

As medidas fazem parte da segunda fase da Operação Petrorianos, conduzida pelo Gaeco com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), da Corregedoria-Geral da Polícia Militar e da Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM). Além do presídio federal em Campo Grande, os mandados também foram cumpridos em endereços no Rio de Janeiro.

De acordo com o MPRJ, a investigação teve início a partir de um Procedimento de Investigação Criminal (PIC) instaurado para apurar a atuação de grupos ligados ao jogo do bicho na capital fluminense.

Suspeita de suborno a policial da ativa

A denúncia aponta ainda indícios de corrupção ativa. Conforme o Gaeco, Carlos André Carneiro, em conjunto com Rogério de Andrade, teria subornado um policial militar da ativa para obter informações sigilosas sobre operações policiais em andamento. O objetivo seria antecipar fiscalizações e direcionar ações repressivas contra estabelecimentos explorados por organizações rivais no mercado ilegal de jogos de azar.

A denúncia foi recebida pela 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital do Rio de Janeiro, que autorizou o cumprimento das medidas judiciais solicitadas pelo Ministério Público.

Histórico de investigações e prisões

Em dezembro de 2025, o Gaeco já havia cumprido 16 mandados de busca e apreensão contra supostos gerentes do jogo do bicho ligados à organização criminosa atribuída a Rogério de Andrade. As ações foram realizadas em diferentes bairros do Rio de Janeiro, por determinação da mesma vara especializada, e decorreram de outro procedimento investigativo em tramitação no órgão.

Essa ofensiva foi um desdobramento da Operação Safari, deflagrada em fevereiro de 2025, que resultou no fechamento de cerca de 50 pontos de jogo do bicho, além de prisões e apreensão de materiais relacionados à atividade ilegal.

Uma denúncia anterior contra Rogério havia sido apresentada em março de 2021, mas acabou trancada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2022, sob o entendimento de que não havia provas suficientes de seu envolvimento direto.

Prisão e transferência para Campo Grande

Rogério Costa de Andrade, conhecido também por ser patrono da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, está preso desde outubro de 2024, após nova denúncia apresentada pelo MPRJ no caso do homicídio de Fernando Iggnácio, genro de Castor de Andrade e seu rival na disputa pelo controle do jogo do bicho.

Ele foi transferido do Complexo de Bangu, no Rio de Janeiro, para o Presídio Federal de Campo Grande em outubro de 2023. Em novembro do ano passado, a Justiça fluminense decidiu manter o contraventor custodiado na unidade federal de segurança máxima.
 

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