A denúncia feita pela ex-esposa de um dos suspeitos deu início a uma investigação da Polícia Federal (PF) e da Receita Federal (RFB) contra uma organização criminosa envolvida em contrabando, descaminho, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Segundo a mulher, seus documentos pessoais teriam sido usados sem autorização para abrir empresas e gerar débitos tributários em seu nome. A partir dessas informações, as autoridades apuraram o caso por cerca de dois anos, culminando na deflagração da Operação Uxoris nesta quarta-feira (3).
Origem da investigação
De acordo com o delegado Anezio Rosa de Andrade, responsável pela delegacia de repressão a crimes fazendários, a ex-companheira procurou a Polícia Federal ao perceber que seus dados estavam sendo utilizados para a criação de pessoas jurídicas ligadas às atividades ilegais do grupo. A operação recebeu o nome de “Uxoris” em referência ao vínculo conjugal que motivou o início das investigações.
Ação da PF e da Receita Federal
A operação mobilizou cerca de 70 servidores, entre policiais federais e agentes da Receita Federal, em 12 viaturas. Nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos — oito em Campo Grande (MS) e um em Osasco (SP) — em regiões como o Centro, o bairro Universitário e a Vila Nhá-Nhá.
Funcionamento do esquema criminoso
As investigações indicam que o grupo fazia a importação e comercialização irregular de produtos como eletrônicos, brinquedos, utensílios domésticos e acessórios tecnológicos. As mercadorias, sem documentação fiscal e comprovação de desembaraço alfandegário, eram vendidas em lojas físicas e também por meio de plataformas online sediadas em Campo Grande, com envio para todo o país.
Origem das mercadorias e bloqueio de bens
Parte dos produtos teria entrado no Brasil pela fronteira com o Paraguai. No total, cerca de 20 pessoas físicas e jurídicas tiveram bens — incluindo imóveis, veículos e valores em dinheiro — bloqueados, em um montante estimado em R$ 40 milhões. Entre os investigados está o policial militar Wellington da Silva Cruz, e 14 empresas tiveram suas atividades suspensas.
Transferência ilegal de recursos e impacto no mercado
O grupo também teria utilizado o chamado “dólar-cabo”, mecanismo ilegal de envio de dinheiro ao exterior sem o registro formal de transferência bancária, caracterizando evasão de divisas. Segundo a PF, além de crimes tributários e aduaneiros, a prática gera concorrência desleal, prejudicando comerciantes que atuam de forma regular e cumprem todas as obrigações fiscais.









