A defesa do cardiologista João Jasbik Neto divulgou nesta terça-feira (19) uma nota à imprensa sobre a morte da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, encontrada com uma marca de tiro em uma chácara na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande - MS. O comunicado é assinado pelo advogado José Belga Assis Trad e foi divulgado um dia após o caso ganhar repercussão.
Segundo a defesa, o médico foi autuado em flagrante pelos crimes de posse irregular de arma de fogo e fraude processual.
“A defesa informa que o Dr. João Jasbik Neto foi autuado em flagrante por posse irregular de arma de fogo e fraude processual, em meio a uma grande tragédia pessoal e familiar”, diz trecho da nota.
O advogado afirmou ainda que o cardiologista colaborou com as autoridades desde o início das investigações.
“Apesar do luto e do sofrimento de que padece neste momento, o Dr. João Jasbik se colocou à inteira disposição da autoridade policial, prestando todos os esclarecimentos e concordando com a realização do exame residuográfico”, declarou a defesa.
A defesa também informou que João Jasbik permanecerá à disposição da Justiça. “Do mesmo modo, ficará à disposição do Poder Judiciário, para onde o Auto de Prisão em Flagrante deve ser encaminhado para deliberações”, conclui a nota.
Em pronunciamento oficial, o delegado Leandro Santiago, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), afirmou que a Polícia Civil foi acionada inicialmente para atender uma ocorrência de suposto suicídio.
“A Polícia Civil do Mato Grosso do Sul, por intermédio da 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, informa que na manhã de ontem tomou conhecimento de um suposto suicídio ocorrido em Campo Grande”, afirmou.
Segundo o delegado, durante as primeiras diligências, houve divergências entre os relatos apresentados pelo companheiro da vítima e outras pessoas presentes na propriedade.
“Ainda em entrevistas prévias, o suspeito e outras testemunhas que se encontravam no local divergiram nas versões apresentadas”, disse.
Leandro Santiago afirmou ainda que a investigação apontou que armas de fogo e munições teriam sido retiradas do local onde o corpo foi encontrado.
“A equipe realizou diversas diligências na propriedade e constatou que o suspeito, companheiro da vítima, determinou que o caseiro e um ex-funcionário seu deslocassem um armário com diversas armas de fogo e munições para outro casebre dentro da propriedade, o que consistiu em um crime de fraude processual, motivo pelo qual os três foram autuados em flagrante por esse crime”, declarou.
O delegado também informou que uma perícia preliminar apontou inconsistências entre a lesão encontrada na vítima e a versão apresentada inicialmente.
“Constatou-se também através de perícia preliminar que a lesão que a vítima tinha na região da cabeça não condizia com a versão apresentada pelo suspeito”, afirmou.
Ainda conforme a Polícia Civil, armas de fogo e munições de uso permitido e restrito foram apreendidas na propriedade.
“Em razão das armas de fogo e munições de calibre de uso permitido e uso restrito, o companheiro da vítima também foi autuado em flagrante pela posse irregular de arma de fogo de uso restrito e de arma de fogo de uso permitido”, explicou o delegado.
A Polícia Civil informou que será instaurado um inquérito complementar para apurar as circunstâncias da morte de Fabíola Marcotti.
“Agora iremos instaurar um inquérito policial complementar em autos apartados para apurar, sob uma perspectiva de gênero, as circunstâncias do óbito da vítima Fabíola, se se trata de um suicídio ou de um feminicídio”, concluiu Leandro Santiago.
De acordo com o boletim de ocorrência, o médico relatou que a esposa havia subido para o quarto do casal durante a manhã e demorou para retornar. Após estranhar a ausência, ele afirmou ter encontrado Fabíola caída no chão do cômodo.
Equipes da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e perícia estiveram no local. A defesa sustenta que João Jasbik possui registro ativo como CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador).









