Mato Grosso do Sul fechou 2025 com o melhor desempenho exportador já registrado pelo Estado. As vendas internacionais alcançaram US$ 10,7 bilhões, superando o recorde anterior de 2023 e representando um crescimento de 7,51% em relação a 2024.
Os números constam na Carta de Conjuntura do Comércio Exterior elaborada pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), com base em dados do sistema ComexStat, do governo federal.
Celulose lidera pauta exportadora
A composição das exportações estaduais permaneceu concentrada em três grandes cadeias produtivas. A celulose ocupou a primeira posição, respondendo por 28,98% do total exportado em 2025, consolidando-se como o principal produto da pauta sul-mato-grossense. O desempenho é atribuído aos investimentos industriais em andamento, que ampliaram a capacidade produtiva do setor.
A soja aparece em segundo lugar, com participação próxima de 22%, enquanto a carne bovina representou cerca de 17% das vendas externas. Para o secretário Jaime Verruck, titular da Semadesc, esses segmentos seguem como pilares da economia estadual.
“Essas três cadeias são hoje a base das exportações de Mato Grosso do Sul e têm enorme relevância para a geração de renda, empregos e divisas”, afirmou.
Cenário externo adverso e adaptação da economia
Na avaliação do secretário, o resultado foi obtido apesar de um ambiente internacional desfavorável, marcado por restrições comerciais em mercados estratégicos.
“Em 2025 tivemos discussões e restrições comerciais importantes impostas pelos Estados Unidos, nosso segundo principal mercado para a carne bovina, além de impactos sobre a citricultura, ferroligas, café e laranja”, destacou Verruck.
Segundo ele, a reação da economia estadual foi decisiva para o recorde.
“Isso trouxe reflexos relevantes para Mato Grosso do Sul, mas conseguimos reagir e superar esse cenário, batendo recorde de exportações. As vendas externas totalizaram US$ 10,7 bilhões em 2025”, completou.
O secretário explicou ainda que houve redirecionamento da produção para outros destinos.
“Conseguimos realocar produtos para outros mercados e manter o fluxo normal de produção, inclusive com ajustes na pauta, como no caso da celulose, que deixou de ser direcionada ao mercado americano”, disse.
A China permaneceu como principal destino das exportações estaduais, concentrando 48,57% do total, seguida pelos Estados Unidos.
Municípios exportadores e concentração regional
Na análise por município, Três Lagoas manteve a liderança entre os maiores exportadores do Estado, com participação de 19,68%, alavancada pela indústria de celulose. Ribas do Rio Pardo ficou em segundo lugar, com cerca de 11%, superando Dourados e Campo Grande, também em função da expansão florestal e industrial.
Jaime Verruck ressaltou que a distribuição das exportações varia conforme o produto.
“É importante lembrar que, diferentemente da celulose, a soja tem origem bastante diluída, estando presente em mais de 60% dos municípios do Estado, o que explica essa diferença de concentração regional”, pontuou.
Logística sustenta crescimento das vendas externas
O avanço das exportações foi apoiado por melhorias na logística de escoamento. O Porto de Santos respondeu por aproximadamente 38% das saídas, com destaque para o uso do transporte ferroviário pela Malha Norte. Paranaguá concentrou cerca de 33% do volume exportado, principalmente soja transportada por rodovias, enquanto São Francisco do Sul respondeu por cerca de 12%, com foco em proteínas animais. Corumbá participou com cerca de 5% do total.
Nesse contexto, o secretário destacou o desempenho do setor mineral.
“Com a manutenção do calado do rio ao longo de 2025, foi possível ampliar a produção mineral. O Estado bateu recorde de exportação de minério de ferro, com volume superior a 8 milhões de toneladas, reforçando a importância desse segmento para a economia sul-mato-grossense”, afirmou.
Importações recuam em 2025
Do lado das importações, Mato Grosso do Sul registrou compras externas de US$ 2,8 bilhões em 2025, uma queda de 3,4% em relação ao ano anterior. O principal item importado foi o gás natural, considerado estratégico para o Estado.
“Houve uma contração no volume importado de gás natural, o que inclusive impactou nossas finanças estaduais”, observou Verruck.
Na sequência, destacaram-se as importações de máquinas voltadas à indústria de papel e celulose e de cobre, reflexo da presença de um parque industrial consolidado no setor de fios metálicos.









