O dólar apresentou queda frente ao real na manhã desta terça-feira (6), enquanto a Bolsa brasileira operou em alta, em um pregão marcado pela atenção dos investidores a fatores domésticos e internacionais. No radar estiveram os números da balança comercial do Brasil, declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed) e os impactos econômicos e políticos da crise na Venezuela após ação militar dos Estados Unidos.
No Brasil, o foco do dia recaiu sobre a divulgação dos dados da balança comercial de dezembro de 2025, apresentados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). As estatísticas oferecem um retrato do desempenho das exportações e importações no encerramento do ano passado e são acompanhadas de entrevista coletiva com autoridades da pasta.
No exterior, além do noticiário envolvendo a Venezuela, os mercados acompanham discursos de membros do Fed e a divulgação dos índices de gerentes de compras (PMIs) finais de dezembro em economias como Estados Unidos, Alemanha, zona do euro, Reino Unido e Japão, indicadores considerados importantes para avaliar o ritmo da atividade global.
Câmbio
Por volta das 10h14, o dólar registrava desvalorização de 0,33%, cotado a R$ 5,388. Mais cedo, a moeda chegou a ser negociada a R$ 5,40, após oscilar entre a máxima de R$ 5,417 e a mínima do dia no mesmo patamar observado no meio da manhã.
No pregão anterior, a divisa norte-americana havia encerrado o dia em queda de 0,34%, a R$ 5,405. Com isso, o dólar acumula baixa de 1,52% frente ao real desde o início de 2026.
Bolsa
O Ibovespa, principal índice da B3, também operava no campo positivo. Às 10h16, o indicador avançava 1,17%, alcançando 163,7 mil pontos. Na véspera, o índice havia subido 0,83%, aos 161,8 mil pontos.
Com o desempenho recente, a Bolsa brasileira acumula valorização de 0,47% no ano.
Balança comercial
Os números divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC) detalham o comportamento do fluxo comercial brasileiro em dezembro, indicando o saldo entre exportações e importações no fechamento de 2025. A apresentação dos dados conta com a participação do vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, além de técnicos responsáveis pelas estatísticas da área.
Política monetária dos EUA
No cenário internacional, as atenções seguem voltadas para os Estados Unidos. Investidores monitoram falas de dirigentes do Federal Reserve, semanas após a última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), realizada em dezembro.
Na ocasião, o Fed promoveu um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, levando o intervalo para entre 3,5% e 3,75% ao ano. Foi a terceira redução consecutiva promovida pela autoridade monetária norte-americana. A decisão, no entanto, não foi unânime, com divergências entre os membros do comitê quanto à intensidade do ajuste.
O próximo encontro do Fed para definição da política de juros, o primeiro de 2026, está agendado para os dias 27 e 28 de janeiro.
Venezuela no radar
O ambiente externo também segue influenciado pelos desdobramentos da operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do líder do país, Nicolás Maduro, e em sua transferência para os EUA, onde deve ser julgado em Nova York.
O tema foi discutido no Conselho de Segurança da ONU, onde a maioria dos países manifestou críticas à ação norte-americana. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, declarou preocupação com o risco de aumento da instabilidade interna, os possíveis reflexos regionais e o precedente diplomático criado pela operação.
Segundo analistas de mercado, o risco geopolítico elevou a cautela no início da semana, mas o movimento foi parcialmente compensado ao longo do pregão pelo desempenho positivo das bolsas internacionais e pela valorização das commodities, especialmente o petróleo. Dados econômicos mais fracos nos EUA também contribuíram para enfraquecer o dólar globalmente, favorecendo moedas de países emergentes.
No mercado financeiro, os títulos da dívida venezuelana e da estatal PDVSA negociados em dólar registraram forte alta, impulsionados pela expectativa de mudanças no cenário político e de uma possível reabertura econômica no país.


