O universo de The Last of Us despertou curiosidade ao apresentar um apocalipse causado por um fungo. Apesar da dramatização, a base científica da história é real: o Cordyceps, um grupo de fungos que habita florestas tropicais e é conhecido por parasitar insetos, especialmente formigas.
Na natureza, o Cordyceps não transforma pessoas em zumbis, mas exibe um ciclo biológico tão impressionante que acabou inspirando jogos e séries de sucesso. Pesquisas e reportagens científicas mostram como esse organismo age de forma altamente especializada para garantir sua reprodução.
Como o Cordyceps age na vida real
O funcionamento do fungo é preciso e silencioso. Esporos microscópicos entram em contato com o inseto e penetram em seu corpo. A partir daí, o fungo passa a crescer internamente, envolvendo músculos específicos do hospedeiro.
Esse crescimento altera o comportamento do animal, que acaba se deslocando para locais com condições ideais de umidade e temperatura. Após a morte do inseto, o fungo completa seu ciclo reprodutivo, liberando novos esporos no ambiente.
As famosas “formigas zumbis”
Entre as milhares de espécies de Cordyceps, a mais conhecida é a Ophiocordyceps unilateralis, responsável pelo fenômeno das chamadas formigas zumbis. O inseto infectado abandona a colônia, sobe em arbustos ou folhas e se fixa no local, criando o cenário perfeito para a disseminação do fungo.
Esse comportamento não é aleatório: trata-se de uma estratégia evolutiva que maximiza as chances de reprodução do parasita, mesmo que leve à morte do hospedeiro.
Ficção x realidade
Apesar da semelhança conceitual, as diferenças entre a obra de ficção e o mundo real são profundas. Na série e no jogo, o fungo afeta humanos e se espalha rapidamente. Na natureza, o Cordyceps é altamente específico e ataca apenas insetos e outros artrópodes.
Além disso, o resultado da infecção real não envolve agressividade ou mobilidade contínua, mas sim um processo estático voltado exclusivamente à reprodução do fungo.
Existe risco para os humanos?
Do ponto de vista científico, não há indícios de que o Cordyceps represente uma ameaça à saúde humana. A temperatura corporal das pessoas funciona como uma barreira natural, impedindo que esses fungos sobrevivam e se desenvolvam no organismo humano.
Para que algo semelhante ao que é mostrado em The Last of Us acontecesse, seriam necessárias adaptações evolutivas extremamente complexas, que levariam milhões de anos para ocorrer. Assim, o fungo que inspira medo na ficção permanece, na realidade, como mais um exemplo fascinante da complexidade da vida na natureza — e não como um prenúncio de pandemia.
*Com informações do Olhar Digital









