segunda, 15 junho 2026

PREVENÇÃO

há 1 mês

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IHP e Marinha da Bolívia fortalecem parceria para prevenir incêndios e proteger o Pantanal na fronte

Cooperação reúne tecnologia, inteligência artificial e treinamento binacional para ampliar resposta a queimadas e resgate de fauna silvestre em áreas

Atualizado: há 1 mês

Suelen Morales - com informações da assessoria de imprensa

O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) e a Armada Boliviana ampliaram uma cooperação técnica voltada à prevenção e ao combate de incêndios florestais na região do Pantanal e do Chaco, áreas que sofrem com os impactos crescentes da estiagem e das queimadas na faixa de fronteira entre Brasil e Bolívia.

A ação conjunta ocorreu nesta segunda-feira (12), em um intercâmbio técnico com duração de seis horas, envolvendo oficiais da Marinha boliviana e especialistas ligados à conservação ambiental no Pantanal sul-mato-grossense.

A parceria acontece em meio ao alerta para uma nova temporada crítica de incêndios no bioma. Em Mato Grosso do Sul, o governo federal mantém decreto de emergência ambiental válido entre abril e dezembro de 2026 devido ao risco elevado de queimadas no Pantanal.

Do lado boliviano, o cenário também preocupa. Em 2024, a Bolívia enfrentou o pior ciclo de incêndios já registrado no país, levando a Armada Boliviana a ampliar sua atuação em operações ambientais e resposta a desastres naturais.

Segundo o IHP, a cooperação busca integrar conhecimento científico, monitoramento tecnológico e capacitação prática para fortalecer as ações preventivas nos dois países.

Entre os principais temas abordados durante o treinamento esteve o uso de inteligência artificial no monitoramento ambiental. Os oficiais bolivianos conheceram sistemas de detecção precoce de focos de calor capazes de identificar incêndios ainda em estágio inicial, antes que avancem para grandes proporções.

As ferramentas incluem tecnologias do Sistema Pantera, desenvolvido em parceria com a startup Um Grau e Meio, utilizadas atualmente em áreas estratégicas de conservação no Pantanal.

As atividades também incluíram oficinas práticas sobre resgate de animais silvestres em situações de incêndio, técnica considerada essencial diante do impacto das queimadas sobre a fauna pantaneira.

As ações se concentram em áreas consideradas corredores ecológicos importantes, como a Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar, em Corumbá, além das Áreas Naturais de Manejo Integrado San Matías e Otuquis, localizadas em municípios bolivianos próximos da fronteira com Mato Grosso do Sul.

O diretor-presidente do IHP, Angelo Rabelo, destacou que a preservação do Pantanal depende de cooperação entre os países que compartilham o bioma.

“A conservação do Pantanal não reconhece fronteiras políticas. Temos áreas fundamentais para serem protegidas dos dois lados da fronteira e esse trabalho conjunto fortalece a resposta aos incêndios e a proteção da biodiversidade”, afirmou.

Além do intercâmbio técnico, a parceria também discute mecanismos legais que permitam atuação conjunta mais rápida em situações de emergência ambiental. O objetivo é facilitar a circulação de brigadistas, equipamentos e equipes entre Brasil e Bolívia durante operações de combate ao fogo.

O capitão de fragata José Martín Torrico Bravo, do 5º Distrito Naval Santa Cruz da Armada Boliviana, afirmou que a experiência brasileira contribui diretamente para a preparação das equipes bolivianas.

“Os oficiais ampliam o conhecimento sobre novas tecnologias e aprendem técnicas de resgate de fauna, algo fundamental para atuação em incêndios florestais na região”, ressaltou.

Fundado em Corumbá em 2002, o Instituto Homem Pantaneiro atua na conservação do Pantanal por meio de pesquisas científicas, gestão de áreas protegidas e ações voltadas ao desenvolvimento sustentável de comunidades tradicionais e povos originários.

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