Na noite de segunda-feira (29), o Sistema Pantera, operado a partir da sede do Instituto Homem Pantaneiro (IHP) em Corumbá (MS), identificou uma linha de fogo de aproximadamente 5 km no território boliviano, nas proximidades da Serra do Amolar — uma das regiões mais sensíveis do Pantanal.
A frente de incêndio estava a cerca de 15 km da fronteira com o Brasil, próximo à Lagoa Mandioré, área de mais de 120 km² que divide os dois países. A detecção foi feita com tecnologia de inteligência artificial, que permite resposta entre 3 e 5 minutos. Os ventos, que chegaram a 25 km/h com direção leste-oeste, contribuíram para impedir o avanço imediato do fogo em direção ao território brasileiro.
Monitoramento rápido e ação coordenada
Apesar da gravidade, as chamas não haviam sido registradas por satélites até a tarde do dia 30. Uma das hipóteses é que o fogo tenha atingido uma zona alagada entre a lagoa e a região de campo, o que ajudou a conter sua propagação.
A equipe do IHP entrou em contato direto com instituições bolivianas NATIVA e CERAI, que atuam na região da Área Natural de Manejo Integrado San Matías. No Brasil, o Prevfogo/Ibama também foi notificado para ações preventivas, mesmo sem focos confirmados no lado brasileiro.
“O fogo não tem nacionalidade e não reconhece fronteiras. É preciso fortalecer a cooperação transfronteiriça para proteger comunidades e a biodiversidade”, afirma Ângelo Rabelo, presidente do IHP.
Cooperação internacional em ação
Desde 2024, o IHP mantém parcerias com organizações bolivianas, como a CERAI, para ações conjuntas de prevenção e combate ao fogo em áreas estratégicas da fronteira. Em junho deste ano, brigadistas do Instituto participaram de um intercâmbio de formação em Santiago de Chiquitos.
A instituição também se reuniu em julho com representantes da NATIVA para alinhar esforços frente à temporada de incêndios, principalmente em regiões críticas como o Chaco boliviano e a Serra do Amolar.
Fogo recua em 2025, mas risco permanece
Dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA/UFRJ) indicam que, entre janeiro e julho deste ano, 14,7 mil hectares foram atingidos pelo fogo no Pantanal — o equivalente a 0,10% do bioma. A situação representa melhora significativa em relação a 2024, ano que marcou a pior seca em mais de um século.
Na Bolívia, o ano passado foi considerado o maior desastre ambiental da história do país, com 6,9 milhões de hectares queimados só no Departamento de Santa Cruz, e outros 2,9 milhões em Beni, regiões que fazem divisa com Mato Grosso do Sul.
Sobre o Sistema Pantera e o IHP
O Sistema Pantera, criado pela startup Um Grau e Meio em parceria com o IHP, é mantido pelo projeto Abrace o Pantanal, com apoio da JBS. Ele monitora áreas críticas do Pantanal em tempo real e compartilha dados com o Corpo de Bombeiros de MS, Ministério Público, Ibama e instituições bolivianas.
O Instituto Homem Pantaneiro, fundado em 2002, é referência em conservação ambiental, gestão de áreas protegidas e ações com comunidades tradicionais no Pantanal. Integra iniciativas como o Observatório Pantanal, os PANs da Ariranha e da Onça-pintada, e o Comitê Estadual do Fogo.
Saiba mais em: institutohomempantaneiro.org.br
Com informações da assessoria.










