Na noite desta terça-feira (11), a realização da 30ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas — a COP30, que acontece em Belém (PA) — enfrentou um episódio de tensão quando dezenas de manifestantes indígenas e estudantes tentaram adentrar a chamada “zona azul”, área restrita à conferência da ONU sobre mudanças climáticas.
A ação ocorreu após a realização da Marcha Global Saúde e Clima, que reuniu milhares de pessoas pelas ruas de Belém em um ato pacífico voltado aos impactos das mudanças climáticas na saúde pública e à defesa de soluções sustentáveis. A mobilização contou com a participação de instituições como a Fiocruz, Médicos pelo Clima e o Instituto Ar. No entanto, segundo os organizadores, os episódios de confronto não faziam parte da marcha oficial.
O que ocorreu
Segundo relatos da imprensa, o grupo de manifestantes, muitos pertencentes a comunidades indígenas e usando trajes tradicionais, empurrou veículos de segurança e tentou romper as barreiras da zona azul por volta das 19h30 (horário local). No enfrentamento, pelo menos dois agentes de segurança sofreram ferimentos leves, e houve danos à estrutura da conferência, segundo nota da organização do evento. Um dos manifestantes gritou: “Não podemos comer dinheiro”, enquanto outro afirmou que “nossa terra não está à venda”.
Testemunhas afirmam que os manifestantes estavam insatisfeitos com a limitada participação dos povos indígenas nas decisões da conferência e com o que consideram uma influência excessiva de interesses empresariais sobre os debates climáticos. Em resposta, equipes de segurança da ONU e do Brasil isolaram o local, impedindo temporariamente a entrada de delegados e reforçando a vigilância no perímetro da zona azul.
Contexto mais amplo
A COP30, sediada em Belém entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025, representa a primeira conferência das partes realizada na Amazônia brasileira. O governo do Brasil preparou uma série de iniciativas para ampliar a participação dos povos indígenas: são esperados cerca de 3 mil representantes desses grupos no evento, incluindo aproximadamente mil diretamente envolvidos nas negociações oficiais da zona azul. Ainda assim, o episódio evidencia a tensão entre os discursos de inclusão e as críticas de que esses povos continuam marginalizados das decisões que impactam seus territórios.
Reações e consequências
Em nota oficial, os organizadores da Marcha pela Saúde e Clima afirmaram que o protesto principal seguiu o trajeto autorizado e terminou pacificamente, e que os incidentes posteriores “não fazem parte da programação da marcha” e “não foram promovidos por suas instituições”.
A organização da conferência informou que tanto a segurança brasileira quanto a da ONU tomaram as medidas necessárias para restabelecer a ordem, e que as negociações continuam normalmente.
Por que isso importa
O incidente lança luz sobre um dilema central das conferências climáticas: por um lado, há o esforço de incluir comunidades vulneráveis, como os povos indígenas da Amazônia, reconhecidos por seu papel na proteção ambiental; por outro, há críticas de que sua voz ainda ocupa um espaço secundário frente a governos e grandes corporações.
O episódio também ocorre em meio a questionamentos sobre a infraestrutura da COP30 em Belém — como a oferta de hospedagem, os altos custos e as obras urbanas realizadas para receber o evento —, fatores que têm gerado preocupação entre delegações e participantes.
Veja as imagens do confronto:









