O caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao colapso do Banco Master, ganhou novos capítulos nas últimas horas. A defesa do empresário passou por uma mudança significativa, a Justiça manteve sua prisão preventiva e o investigado foi transferido dentro do presídio federal onde está detido.
As movimentações recentes indicam que a estratégia jurídica pode estar mudando em meio ao avanço das investigações sobre fraudes financeiras e supostas tentativas de intimidação contra críticos do grupo.
Investigação e prisão preventiva
A atual fase da crise começou em 4 de março, quando Vorcaro foi preso pela Polícia Federal durante a terceira etapa da Operação Compliance Zero. A investigação apura um suposto esquema bilionário envolvendo a venda de títulos de crédito falsos e outras irregularidades financeiras ligadas ao Banco Master.
Segundo os investigadores, o esquema teria provocado um rombo que pode chegar a dezenas de bilhões de reais e mobilizou o Fundo Garantidor de Créditos, responsável por ressarcir investidores prejudicados.
A decisão que determinou a prisão foi assinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. O magistrado citou indícios de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, ameaças e invasão de sistemas informáticos.
Relatórios da investigação também apontaram que o banqueiro mantinha uma estrutura dedicada a monitorar e intimidar pessoas consideradas adversárias do grupo — incluindo concorrentes, ex-funcionários e jornalistas.
Entre os presos estava Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de “Sicário”, apontado como integrante desse núcleo de intimidação.
Supremo forma maioria para manter prisão
Na sexta-feira (13), a Segunda Turma do STF começou a analisar, em sessão virtual, se a prisão preventiva deveria ser mantida.
Até o momento, os ministros André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques votaram pela manutenção da detenção, formando maioria no colegiado.
Com isso, Vorcaro permanece preso na Penitenciária Federal de Brasília, considerada uma das unidades de segurança máxima do sistema penitenciário brasileiro.
A decisão ocorre em meio a suspeitas de que o banqueiro teria tentado oferecer vantagens a autoridades e manter contatos com agentes públicos para obter tratamento favorável às operações do banco.
Transferência dentro do presídio
Ainda na sexta-feira, o ex-banqueiro foi transferido dentro da própria penitenciária.
Ele saiu da cela de isolamento e passou a ocupar uma área reservada para atendimento médico na unidade federal. Apesar da mudança, o regime continua restritivo.
A cela possui monitoramento permanente por câmeras de segurança, que acompanham praticamente toda a movimentação do preso — exceto a área do banheiro — como parte do protocolo aplicado a detentos considerados de risco.
Troca de advogado sinaliza nova estratégia
Logo após a decisão do Supremo, a defesa de Vorcaro passou por uma alteração relevante.
O criminalista Pierpaolo Bottini deixou o caso e transferiu a representação para José Luis Oliveira Lima, conhecido como “Juca”, sócio do escritório Oliveira Lima & Dall’Acqua.
O perfil do novo advogado chamou atenção nos bastidores jurídicos. Ele ganhou notoriedade ao conduzir acordos de colaboração premiada na Operação Lava Jato, incluindo a delação do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, além de já ter defendido o ex-ministro José Dirceu no escândalo do mensalão.
Mais recentemente, o criminalista também atuou na defesa do general Walter Braga Netto em investigações relacionadas a uma suposta tentativa de golpe.
Nos bastidores, a mudança é interpretada como um sinal de que o ex-banqueiro pode buscar um acordo de colaboração premiada com a Justiça para reduzir eventuais penas.
Pressão aumenta sobre o ex-banqueiro
Com a prisão confirmada pelo Supremo, aliados também investigados e novas revelações surgindo a partir das mensagens extraídas do celular do empresário, o cerco jurídico se intensificou.
As investigações indicam que o banqueiro mantinha interlocução com autoridades e figuras influentes em Brasília, além de atuar para proteger os interesses do banco diante de dificuldades financeiras crescentes.
Nesse cenário, especialistas avaliam que uma eventual delação premiada poderia revelar detalhes da rede de relações políticas e institucionais que cercava o Banco Master — e ampliar ainda mais as consequências do escândalo.









