domingo, 18 janeiro 2026

Município

há 1 mês

A+ A-

Prefeitura autoriza aumento de 10,19% em contrato de obras em meio a dificuldades financeiras

Reajuste acrescenta cerca de R$ 1,5 milhão ao acordo com construtora, enquanto Capital enfrenta paralisações no transporte, suspensão de atendimentos na saúde e política de contenção de despesas

Atualizado: há 1 mês

Ricardo Prado

Em um contexto marcado por restrições orçamentárias e conflitos com servidores, a Prefeitura de Campo Grande autorizou a correção de 10,19% no contrato firmado com a empresa responsável por obras de infraestrutura no Complexo Lageado. O reajuste ocorre enquanto a cidade convive com greve no transporte coletivo, interrupção de atendimentos odontológicos e sucessivos decretos de corte de gastos.

Segundo extrato publicado pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), o contrato com a Sagres Engenharia Ltda. havia sido celebrado inicialmente no valor de R$ 15,3 milhões. Com a atualização, o montante passa para R$ 16.860.277,28, representando um acréscimo de R$ 1.560.277,28.

Os recursos estão destinados a serviços de pavimentação asfáltica e drenagem de águas pluviais, com previsão de execução em até 540 dias após a emissão da ordem de serviço. As intervenções devem beneficiar bairros como Parque do Sol e Dom Antônio.

Cenário de tensão financeira

A autorização do reajuste ocorre em um momento de instabilidade na administração municipal. O transporte coletivo de Campo Grande entrou em seu segundo dia de paralisação nesta terça-feira (16), configurando a maior greve do setor em mais de 30 anos. Entre as reivindicações dos trabalhadores estão atrasos salariais, pagamento parcial do quinto dia útil, além de pendências relacionadas ao 13º salário e ao vale-adiantamento.

Na área da saúde, dentistas da rede municipal suspenderam atendimentos em 44 unidades básicas após aprovação unânime de uma greve com duração mínima de 30 dias, ampliando o impacto dos impasses financeiros sobre os serviços públicos.

A atual situação fiscal começou a se desenhar no início de 2025, quando a prefeitura editou decretos determinando cortes expressivos em despesas e suspensão de nomeações. As medidas foram adotadas após pressão de servidores que não recebem reposição salarial há três anos.

Inicialmente, a contenção de gastos teria validade até junho, período que inviabilizou a concessão de reajuste ao funcionalismo, cuja data-base ocorre em maio. O decreto estabeleceu redução mínima de 25% em despesas como consumo de água, energia elétrica, combustíveis, serviços gráficos e contratos com prestadores terceirizados.

Em junho, a gestão municipal prorrogou o pacote de austeridade por mais três meses. De acordo com a prefeitura, nesse intervalo foi registrada economia de R$ 19 milhões na folha de pagamento, embora também tenha sido implementado um reajuste salarial de cerca de 27% que beneficiou aproximadamente 500 servidores de cargos mais elevados.

O salário da prefeita, que serve de teto para o funcionalismo municipal, passou de R$ 21,2 mil para R$ 26,9 mil em abril, com novos aumentos previstos para fevereiro de 2026 e 2027. Enquanto isso, os servidores da base seguem sem reajuste, e a prorrogação das medidas de austeridade praticamente elimina a possibilidade de recomposição salarial no curto prazo.

Além da redução na folha, a administração informou ter economizado quase R$ 1 milhão com a devolução de imóveis alugados, após o encerramento de contratos durante a vigência do decreto de contenção de despesas.

Carregando Comentários...

Veja também