quarta, 15 abril 2026

Polêmica

há 1 mês

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MPF processa Ratinho e SBT por transfobia contra Erika Hilton e pede R$ 10 milhões

Caso começou após comentários do apresentador no SBT sobre eleição da deputada para comissão da Câmara; procuradoria afirma que falas configuram "discurso de ódio"

Atualizado: há 1 mês

Ricardo Prado

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública contra o apresentador Carlos Roberto Massa, conhecido como Ratinho, e contra a emissora SBT, por declarações consideradas transfóbicas contra a deputada federal Erika Hilton.

Na ação, o órgão pede que o apresentador e a emissora sejam condenados a pagar R$ 10 milhões por danos morais coletivos. Segundo a parlamentar, o valor seria destinado a mulheres vítimas de violência.

O processo foi aberto após falas feitas durante o Programa do Ratinho, exibido na noite de 11 de março, quando o apresentador criticou a escolha de Hilton para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. O procurador regional dos Direitos do Cidadão, Enrico Rodrigues de Freitas, argumenta que as declarações deslegitimam a identidade de gênero da parlamentar e da população LGBTQIA+, caracterizando discurso de ódio.

O MPF também ressaltou que o SBT opera como concessionária de serviço público de radiodifusão, o que impõe responsabilidades adicionais quanto ao conteúdo transmitido.

Linha do tempo do caso

11 de março: comentários ao vivo no programa

A polêmica teve início durante a edição do programa apresentado por Ratinho no SBT. Na ocasião, o comunicador comentou a eleição de Erika Hilton para comandar a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara.

Durante o comentário, Ratinho questionou a escolha de uma mulher trans para presidir o colegiado e afirmou:

“A Erika Hilton. Ela não é mulher, ela é trans.”

Em seguida, acrescentou:

“Mulher para ser mulher tem que ter útero” e “tem que menstruar.”

As falas foram exibidas ao vivo e rapidamente repercutiram nas redes sociais e em veículos de imprensa.

Repercussão política e nas redes

A declaração gerou críticas de usuários nas redes sociais e de ativistas ligados à causa LGBTQIA+. A escolha de Hilton para presidir a comissão já havia sido alvo de debate político por se tratar de uma mulher trans liderando um colegiado voltado às políticas para mulheres.

Antes mesmo da polêmica televisiva, a própria deputada havia celebrado a eleição nas redes sociais, destacando que o cargo simbolizava um avanço para mulheres trans na política.

Representação ao Ministério Público

Após a exibição do programa, Erika Hilton apresentou representação ao Ministério Público Federal, solicitando a apuração das falas.

Na ação judicial, o procurador responsável sustentou que os comentários exibidos na TV aberta ultrapassariam o limite da crítica política e configurariam discurso discriminatório, ao negar a identidade de gênero da parlamentar e reforçar estigmas contra pessoas trans.

Ação civil pública e pedido de indenização

Com base na representação, o MPF decidiu ingressar na Justiça com uma ação civil pública contra Ratinho e o SBT.

O órgão pede que ambos sejam condenados a pagar R$ 10 milhões por danos morais coletivos, além de outras possíveis medidas reparatórias. Segundo Hilton, caso a indenização seja confirmada, os recursos serão direcionados a programas de apoio a mulheres vítimas de violência.

Ratinho reage e fala em liberdade de crítica

Após a repercussão do caso, o apresentador publicou um posicionamento nas redes sociais defendendo o direito de fazer críticas políticas.

“Defendo a população trans. Mas defendo também o direito de questionar quem governa. Crítica política não é preconceito. É jornalismo. E não vou ficar em silêncio. Convido jornalistas, comentaristas, apresentadores: falem. Publiquem. Não fiquem em silêncio. Porque silêncio é conivência.”

Debate jurídico e político

O caso reacendeu o debate sobre limites entre liberdade de expressão e discurso discriminatório na televisão aberta. Desde 2019, o Supremo Tribunal Federal entende que a homotransfobia pode ser enquadrada na Lei do Racismo, interpretação que tem servido de base para diversas ações judiciais relacionadas ao tema.

Ainda não há decisão judicial sobre o processo movido pelo MPF. Caso a ação avance, Ratinho e o SBT poderão apresentar defesa antes de qualquer julgamento.

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