quarta, 11 março 2026

PRESO

há 6 dias

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Ministro do STF afirma que Daniel Vorcaro mantinha esquema de vigilância e intimidação

André Mendonça decretou prisão preventiva do dono do Banco Master na Operação Compliance Zero; investigações apontam fraude bilionária

Atualizado: há 6 dias

Suelen Morales

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (4) que o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, mantinha uma estrutura organizada para monitorar e intimidar pessoas consideradas contrárias aos interesses do grupo financeiro.

Vorcaro foi preso na manhã de hoje durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, após decisão de Mendonça que atendeu a pedido da Polícia Federal. A prisão preventiva também alcança outros três investigados. O ministro assumiu recentemente a relatoria do caso, que antes estava sob responsabilidade de Dias Toffoli.

Segundo a decisão, o banqueiro teria contado com apoio de dois ex-servidores do Banco Central do Brasil — Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização, e Belline Santana — que, de acordo com as investigações, atuariam como consultores informais, repassando informações estratégicas.

Estrutura de monitoramento

Relatórios da PF apontam a existência de um núcleo chamado “A Turma”, descrito como grupo estruturado para coleta de informações sigilosas e prática de atos de coação. Entre os alvos estariam concorrentes, ex-funcionários e jornalistas.

O ministro também determinou a prisão de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como executor das ações de monitoramento, e de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que seria responsável por pagamentos do grupo. Outro alvo é o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, suspeito de auxiliar na obtenção de dados sensíveis.

Em mensagens analisadas pela investigação, Vorcaro teria mencionado a intenção de intimidar um jornalista após a publicação de reportagem desfavorável. O colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, afirmou ser o profissional citado nas conversas.

Para Mendonça, os diálogos indicam indícios de tentativa de forjar um assalto para agredir o jornalista e silenciar críticas. O ministro destacou a “dinâmica violenta” do grupo e o risco à integridade de terceiros.

Suspeita de fraude bilionária

As apurações indicam que o caso pode configurar uma das maiores fraudes financeiras já registradas no país. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) estima que eventuais ressarcimentos a clientes prejudicados possam ultrapassar R$ 50 bilhões.

O processo chegou ao STF após indícios de envolvimento de autoridades com foro privilegiado, embora até o momento não haja investigados com prerrogativa de foro formalmente incluídos na ação.

Divergência com a PGR

A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra as prisões solicitadas pela PF, alegando ausência de urgência comprovada. Mendonça, no entanto, sustentou que havia risco concreto de interferência nas investigações, inclusive com indícios de acesso indevido a sistemas sigilosos do Ministério Público e da própria Polícia Federal.

Para o ministro, manter os investigados em liberdade poderia comprometer a apuração e permitir a continuidade das atividades ilícitas. “Permitir que permaneçam em liberdade significa manter em funcionamento uma organização criminosa que já produziu danos bilionários à sociedade”, registrou na decisão.

A defesa dos investigados ainda não se manifestou.
 

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