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segunda, 08 junho 2026

Metanol

há 8 meses

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Ministério da Justiça identifica 30 estabelecimentos suspeitos de adulterar bebidas com metanol

Governo cria comitê informal de enfrentamento à crise e reforça fiscalização em todo o país

Atualizado: há 8 meses

Ricardo Prado

O Ministério da Justiça anunciou nesta terça-feira (7) que pelo menos 30 estabelecimentos em diferentes estados brasileiros estão sob suspeita de adulterar bebidas alcoólicas com metanol, substância altamente tóxica quando ingerida. O anúncio foi feito pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, durante coletiva de imprensa em Brasília, após reunião com representantes de indústrias de bebidas e associações de combate à falsificação.

“Chegamos à conclusão de que é importante montar um comitê de enfrentamento da crise do metanol, informal, onde possa haver troca de informações, de boas práticas e anúncios das providências para avançarmos mais rapidamente na solução do problema”, afirmou Lewandowski.

Criação de comitê e integração público-privada
O comitê informal reunirá setores públicos e privados para compartilhar informações sobre casos de intoxicação e adoção de medidas preventivas. O objetivo é diferenciar comerciantes legítimos daqueles que adulteram bebidas de forma intencional, sem paralisar a atividade econômica do setor.

De acordo com Lewandowski, a atuação conjunta permitirá acelerar o controle da crise e proteger consumidores, mantendo a fiscalização voltada aos casos mais graves.

O perigo do metanol
O metanol é um álcool utilizado em produtos industriais, como solventes, e é altamente perigoso para consumo humano. A ingestão provoca intoxicação que inicialmente ataca o fígado, produzindo substâncias tóxicas capazes de comprometer a medula, o cérebro e o nervo óptico, podendo resultar em cegueira, coma ou morte. Também podem ocorrer insuficiência pulmonar e renal.

Notificações e investigação
Paulo Pereira, presidente da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), informou que inicialmente 15 estabelecimentos foram notificados, e nas últimas horas outros 15 também receberam notificações. Além disso, cerca de 25 distribuidoras, associações e entidades do setor foram acionadas para fornecer informações sobre o caso.

Os estados com registros de notificações incluem São Paulo, Pernambuco, Distrito Federal, Santa Catarina e Paraná. “Os estabelecimentos notificados são suspeitos de ter vendido a bebida adulterada. Agora vai se analisar se foram os responsáveis pela adulteração”, detalhou Pereira.

O Ministério da Justiça disponibilizou aos estados e ao Distrito Federal a estrutura pericial da Polícia Federal (PF) para identificar o “DNA do metanol” presente nas bebidas. A secretária de Políticas sobre Drogas, Marta Machado, afirmou que estão sendo analisadas duas possíveis origens do metanol: a contaminação na própria produção da bebida ou o uso de metanol industrial, utilizado em combustíveis e solventes.

Casos e mortes registrados
Até 5 de outubro de 2025, o Ministério da Saúde registrou 225 notificações de intoxicação por metanol, sendo 16 confirmadas e 209 em investigação. O número de mortes chegou a 15, das quais duas foram confirmadas e 13 estão em apuração. Cerca de 85% dos casos estão concentrados em São Paulo, onde já foram confirmadas 14 intoxicações e duas mortes, além de sete óbitos ainda sob investigação.

Em resposta à crise, a Polícia Civil intensificou ações em adegas e distribuidoras, tanto na capital quanto no interior, com prisões de suspeitos e apreensão de milhares de garrafas adulteradas. As operações contam com apoio da Vigilância Sanitária e do Instituto de Criminalística, responsável pela análise das amostras recolhidas.

Linhas de investigação
As investigações apontam duas hipóteses principais sobre a contaminação:

  1. Uso de metanol para higienização de garrafas reaproveitadas, que teriam sido inadequadamente destinadas à reciclagem;
  2. Adição de metanol para aumentar o volume de bebidas falsificadas, possivelmente com a intenção de usar etanol puro, sem conhecimento da contaminação.

O governo reforça que a prioridade é proteger a população e responsabilizar aqueles que colocam vidas em risco por adulteração intencional, sem prejudicar a produção legal de bebidas alcoólicas no país.

Ouça a fala do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski:

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