sábado, 07 fevereiro 2026

Internacional

há 3 semanas

A+ A-

Irã intensifica repressão a protestos e ameaça retaliação contra os EUA em meio a crescente crise

Protestos começaram por motivos econômicos e agora desafiam o regime teocrático, enquanto Teerã e Washington escalam retórica de confronto

Atualizado: há 3 semanas

Ricardo Prado

O governo do Irã intensificou sua repressão aos protestos que já duram mais de duas semanas e aumentou as tensões com os Estados Unidos, ameaçando retaliar contra bases militares americanas na região caso Washington execute uma intervenção militar no país. A escalada ocorre em meio a uma das maiores ondas de mobilização popular desde a Revolução Islâmica de 1979.

Protestos contra a teocracia e piora econômica

As manifestações começaram no final de dezembro de 2025, inicialmente como reação à grave crise econômica, marcada por inflação elevada, desvalorização acentuada da moeda e aumento do custo de vida em todo o país. Comerciantes em Teerã foram os primeiros a protestar, com greves e fechamento de lojas que rapidamente se espalharam por diversas províncias e grupos sociais.

Com o passar dos dias, as demandas se ampliaram e passaram a incluir críticas ao sistema político clerical, à figura do líder supremo Ayatollah Ali Khamenei e pedidos de mudanças estruturais na República Islâmica.

Repressão violenta e alto número de mortes

As forças de segurança responderam com forte repressão, incluindo o uso de tiros com munição real, gás lacrimogêneo e detenção em massa. Organizações de direitos humanos relatam diversas mortes de manifestantes — incluindo jovens e menores de idade — durante confrontos com a polícia e as unidades de segurança iranianas.

Estima-se que o número de vítimas possa variar bastante, com números oficiais e de grupos independentes indicando milhares de mortos desde o início das manifestações — em muitos casos dificultados pela interrupção de comunicações e mídia independente no país.

Funeral de policiais mortos e internet censurada

Em Teerã, o governo realizou um funeral para dezenas de policiais e membros das forças de segurança mortos em confrontos com manifestantes, numa tentativa de reforçar uma narrativa de ameaça à ordem pública e legitimar a repressão.

Durante parte dos protestos, as autoridades cortaram o acesso à internet e serviços de telefonia móvel, restringindo a circulação de informações e dificultando a cobertura jornalística independente dentro do país.

Tensões com os Estados Unidos

A situação no Irã atraiu atenção internacional, em especial dos Estados Unidos, cujo presidente Donald Trump ameaçou considerar opções militares caso ocorresse uma repressão ainda mais violenta, incluindo execuções de opositores detidos.

Em resposta, autoridades iranianas emitiram advertências de retaliação, alertando países vizinhos que abrigam bases americanas — como Catar, Turquia e Emirados Árabes Unidos — de que poderiam ser alvos de ataques se os EUA intervirem militarmente no território iraniano.

Repercussão global e preocupações regionais

A escalada do conflito interno e a retórica de confronto com Washington geraram preocupações entre aliados regionais e potências globais. Alguns países, como Rússia, criticaram possíveis ações militares dos EUA e pediram moderação, destacando o risco de consequências graves para a segurança regional e global.

Organizações internacionais de defesa dos direitos humanos também têm condenado o uso excessivo da força contra manifestantes pacíficos e pedido que o governo iraniano liberte presos políticos e respeite liberdades fundamentais.
 

Carregando Comentários...

Veja também