Um incêndio de grandes proporções atingiu a Central de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro (Ceasa-RJ), em Irajá, na Zona Norte da capital fluminense, na madrugada desta quarta-feira (3). As chamas começaram por volta de 1h40 em uma loja de alimentos e, devido à presença de materiais altamente inflamáveis, se espalharam rapidamente por boxes vizinhos.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, o fogo atingiu principalmente o pavilhão 43, onde funcionavam estabelecimentos que comercializavam plásticos, papéis, bebidas e outros produtos com alto potencial de combustão. Pelo menos 28 lojas foram completamente destruídas.
Ao todo, cerca de 80 militares de sete quartéis foram mobilizados para conter o incêndio nas primeiras horas, número que chegou a mais de 100 bombeiros ao longo da manhã, com o apoio de dezenas de viaturas e o uso de drones equipados com câmera térmica para identificar focos de calor.
Os pavilhões 43 e 44 foram interditados, assim como parte do pavilhão 42, por medida de segurança. As demais áreas da Ceasa seguem funcionando normalmente. Não há registro de mortes. Quatro bombeiros foram encaminhados para atendimento médico por exaustão, mas receberam alta em seguida.
Prejuízos e impactos
Entre as lojas atingidas estavam boxes que comercializavam frutas, legumes e hortaliças como mamão, coco, manga, milho, abóbora, melancia, batata, cebola e alho. Comerciantes relataram perda total das mercadorias e da estrutura dos estabelecimentos.
O prejuízo é considerado elevado, especialmente por ocorrer em dezembro, mês em que a demanda por alimentos aumenta devido às festas de fim de ano. A Ceasa, inclusive, previa a ampliação do horário de funcionamento para atender o crescimento do movimento neste período.
Em nota, a administração do entreposto informou que os danos ainda estão sendo contabilizados e que as áreas atingidas permanecerão interditadas até a conclusão da perícia técnica.
Prefeitura descarta risco de desabastecimento
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, esteve na Ceasa na manhã desta quarta-feira e afirmou que a situação está sob controle e que não há risco de falta de alimentos na cidade.
“A própria associação já tomou as medidas necessárias para evitar risco de desabastecimento. Isso não tem risco de desabastecimento, principalmente em um mês que a gente sabe que a Ceasa ganha um destaque ainda maior”, declarou.
Segundo Paes, a maioria dos boxes destruídos pertence a grandes distribuidoras, que contam com outras unidades de operação e conseguem manter o fornecimento.
“A maioria dos boxes que se incendiaram são de grandes fornecedores, de grandes empresas, que têm outras bases. Então, a princípio, não tem nenhum tipo de subsídio”, afirmou.
O prefeito também fez um alerta aos comerciantes sobre o armazenamento de materiais inflamáveis e criticou práticas irregulares dentro do entreposto.
“Não dá para as pessoas estocarem aquilo que bem entendem, da maneira que bem entendem. Tem comerciante que não tem responsabilidade. O bombeiro chegou a pedir ajuda da prefeitura para tirar engradados de ferro, porque eles não conseguiam nem trabalhar”, disse.
Histórico e investigação
Não é a primeira vez que a Ceasa de Irajá sofre com incêndios. Em anos anteriores, outros episódios já atingiram galpões e áreas de armazenamento, levantando questionamentos sobre as condições de segurança e fiscalização no local.
As causas do incêndio ainda serão investigadas por uma perícia técnica, que deve apontar se houve falha elétrica, negligência no armazenamento de materiais ou outro fator determinante para o início das chamas.
Enquanto isso, os trabalhos de rescaldo seguem na área atingida, e a Ceasa, a prefeitura e o governo do estado discutem possíveis medidas de auxílio aos comerciantes que tiveram prejuízos.









