O Brasil alcançou um novo patamar de inadimplência, com 82,8 milhões de pessoas com contas em atraso, segundo levantamento divulgado pela Serasa nesta terça-feira (5). O número representa quase metade da população adulta do país e evidencia a persistência do endividamento elevado entre os brasileiros.
O dado atualizado indica crescimento de 1,35% em relação ao mês anterior, quando o total de inadimplentes era de 81,7 milhões. Além disso, o valor médio das dívidas também apresentou aumento, reforçando o cenário de pressão sobre o orçamento das famílias.
Dívidas maiores e mais numerosas
De acordo com o estudo, cada consumidor inadimplente acumula, em média, quatro dívidas. O valor médio por pessoa chegou a R$ 6.728,51 — alta de quase 2% em relação ao levantamento anterior. Já o valor médio por débito gira em torno de R$ 1.647,64.
Esse avanço simultâneo no número de devedores e no montante devido aponta para uma deterioração contínua da capacidade de pagamento, em meio a fatores como juros elevados, inflação e renda ainda pressionada.
Governo aposta em renegociação
Diante do cenário, o governo federal lançou o programa Desenrola Brasil, com o objetivo de reduzir o volume de inadimplentes. A nova fase da iniciativa prevê descontos de até 90% e condições facilitadas de parcelamento, com juros limitados a 1,99% ao mês.
O programa contempla diferentes frentes, incluindo famílias, estudantes com financiamento do Fies, empresas de pequeno porte e produtores rurais. No caso das pessoas físicas, podem ser renegociadas dívidas contraídas até janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos.
Apesar da expectativa positiva, especialistas avaliam que a medida, isoladamente, pode não ser suficiente para reverter o quadro.
“O programa sozinho não vai fazer milagre. A gente viu o programa passado, ele acaba suavizando a inadimplência, mas sabemos que se outras ações não forem tomadas, a gente não vai ter a inversão na curva da dívida, porque a gente tem um estoque altíssimo de dívidas”, afirma Aline Maciel, diretora da Serasa.
O cenário reforça o desafio estrutural do país em equilibrar crédito, consumo e educação financeira, em um contexto de elevado endividamento da população.











