quarta, 17 dezembro 2025

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há 1 mês

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Cientistas observam pela 1ª vez início de supernova em formato de "azeitona"

Estrela tinha 15 vezes a massa do Sol e estava a 22 milhões de anos-luz; observação inédita pode mudar o entendimento sobre a morte de estrelas massivas

Atualizado: há 1 mês

Suelen Morales

Pela primeira vez, cientistas conseguiram observar os estágios iniciais da explosão de uma estrela, um fenômeno conhecido como supernova. E o que eles viram surpreendeu: a estrela não explodiu de forma esférica, como mostram os modelos clássicos, mas ganhou um formato curioso, parecido com uma azeitona em pé.

A descoberta foi feita com o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO), instalado no Chile. A supernova ocorreu na galáxia NGC 3621, que fica a cerca de 22 milhões de anos-luz da Terra, na direção da constelação de Hidra. A estrela que explodiu tinha aproximadamente 15 vezes a massa do Sol.

Um ano-luz equivale a 9,5 trilhões de quilômetros.

Uma corrida contra o tempo cósmico

Explosões de supernovas acontecem muito rapidamente, o que historicamente dificultou observar seus momentos iniciais. Desta vez, o alerta veio em 10 de abril de 2024, poucas horas depois de o astrofísico Yi Yang, da Universidade Tsinghua, na China, desembarcar de um voo para São Francisco.

Assim que recebeu o aviso, Yang solicitou que o VLT fosse direcionado para o fenômeno. O pedido foi aceito imediatamente, e o telescópio conseguiu registrar a supernova apenas 26 horas após a detecção inicial, quando o material ejetado tinha atravessado a superfície da estrela há cerca de 29 horas.

A explosão em forma de azeitona

As primeiras imagens revelaram uma estrela envolvida por um disco de gás e poeira no equador. Quando ocorreu a explosão, o material estelar foi empurrado para fora e, ao bater nesse disco, foi distorcido. Em vez de explodir de maneira simétrica, o núcleo expulsou matéria violentamente pelos dois polos, criando o formato semelhante a uma azeitona vertical.

“A geometria de uma supernova traz pistas essenciais sobre a evolução estelar e sobre os processos físicos que disparam esses fogos de artifício cósmicos”, explicou Yi Yang, autor principal do estudo publicado na revista Science Advances.

As novas imagens também ajudam a descartar alguns modelos teóricos que tentavam explicar a morte de estrelas muito grandes, que são aquelas com mais de oito vezes a massa do Sol.

A estrela que explodiu era uma supergigante vermelha

O astro que deu origem à supernova tinha cerca de 25 milhões de anos, considerado pouco para estrelas desse porte. Em comparação, o Sol já ultrapassou 4,5 bilhões de anos e ainda deve viver por outros bilhões.

No momento da explosão, seu diâmetro era 600 vezes maior que o do Sol. Parte da massa foi lançada ao espaço; o restante provavelmente colapsou e se tornou uma estrela de nêutrons, um dos objetos mais densos do universo.

Quando o núcleo de uma estrela massiva esgota seu combustível, ele entra em colapso. Esse choque empurra a matéria para fora em alta velocidade, atravessando a superfície e iluminando o espaço ao redor.

Uma oportunidade única

As primeiras observações do VLT capturaram o exato momento em que a matéria acelerada rompeu a fotosfera, a “pele” da estrela.

“Quando o choque atinge a superfície, libera uma quantidade imensa de energia. Por um breve período, conseguimos estudar o formato inicial da explosão antes que ela interaja com o material ao redor”, explicou Yang.

Esse formato inicial, segundo o pesquisador, pode ajudar a entender exatamente o que desencadeia o colapso de estrelas massivas. As descobertas já indicam que alguns modelos atuais de explosão não se aplicam a este caso, o que pode levar a uma revisão da teoria sobre como estrelas gigantes chegam ao fim.

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