sábado, 07 fevereiro 2026

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Caso Banco Master: Toffoli altera calendário de oitivas e encurta prazo para depoimentos

Ministro do STF determinou que a Polícia Federal apresente novas datas e concentre as oitivas dos investigados em até dois dias

Atualizado: há 3 semanas

Ricardo Prado

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli determinou que a Polícia Federal (PF apresente um novo cronograma para a realização dos depoimentos dos investigados no caso Banco Master e reduziu de seis para dois dias o período destinado às oitivas. A decisão atende a um pedido da própria PF e altera o planejamento inicial, que previa os depoimentos entre os dias 23 e 28 de janeiro. As informações são do blog da jornalista Julia Duailibi, do G1.

Toffoli aguarda agora que a corporação indique novas datas, respeitando o limite máximo de dois dias para a tomada dos depoimentos no âmbito da investigação que apura suspeitas de fraudes envolvendo a instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro.

Pedido da PF e justificativas apresentadas

Relator do caso no Supremo, Toffoli acolheu a solicitação da Polícia Federal no último dia 13. Na decisão, o ministro destacou que as oitivas estavam autorizadas desde 15 de dezembro e mencionou dificuldades operacionais para a execução do cronograma original, como “limitação de pessoal e disponibilidade de salas” nas dependências do STF.

Tensão institucional após indicação de peritos

Além da alteração no calendário dos depoimentos, uma outra decisão de Toffoli contribuiu para agravar o clima entre o Supremo e a Polícia Federal. Na quinta-feira (15), o ministro indicou nominalmente quatro peritos da PF para analisar o material apreendido na investigação do Banco Master.

Segundo apuração do blog, a medida foi recebida com desconforto pela cúpula da corporação. Nos bastidores, o gesto foi interpretado como um recado direto do ministro: “Não quero a participação institucional de vocês”.

O procedimento é considerado incomum por integrantes da PF. O trâmite habitual prevê que o STF encaminhe a demanda ao Instituto Nacional de Criminalística, que conta com mais de 200 peritos, cabendo à direção do órgão designar os profissionais conforme a especialidade necessária. A indicação direta, sem consulta à direção-geral, foi vista como uma interferência na autonomia administrativa da polícia.

Apesar do desgaste institucional, a apuração confirma que os peritos escolhidos possuem alta qualificação técnica para lidar com a complexidade do caso.

Disputa sobre a guarda e análise do material apreendido

Na quarta-feira (14), Toffoli também decidiu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) ficaria responsável pela análise dos equipamentos apreendidos. Antes disso, o ministro havia determinado que o material permanecesse sob custódia do STF, o que, na prática, impediria a extração de dados pelos peritos da PF antes do envio ao tribunal.

A Polícia Federal alertou que a medida poderia causar prejuízos relevantes à investigação, argumento que contribuiu para a revisão da decisão.

Fraude bilionária e desdobramentos do caso

O caso Banco Master ganhou dimensão nacional após o Banco Central decretar, em novembro, a liquidação extrajudicial da instituição. A medida foi tomada após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB), em operações que somam R$ 12,2 bilhões. Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o episódio pode representar a “maior fraude bancária” da história do país.

A decisão do BC passou a ser questionada, e o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou uma inspeção nos documentos relacionados ao processo. Paralelamente, o Banco Central se tornou alvo de ataques digitais, com suspeita de pagamentos milionários a influenciadores para desacreditar a atuação da autoridade monetária — apuração que está sob responsabilidade da PF.

O processo chegou ao STF no fim de 2025, por decisão de Dias Toffoli, que determinou sigilo integral dos autos. Uma das primeiras medidas foi a realização de uma acareação ainda no ano passado.

A primeira fase da operação ocorreu em novembro e resultou em sete prisões, entre elas a de Daniel Vorcaro, detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos enquanto, segundo investigadores, tentava deixar o país em um avião particular com destino à Europa. Dias depois, ele obteve liberdade por decisão judicial.

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