quarta, 17 dezembro 2025

Protesto

há 2 semanas

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Caminhoneiros articulam paralisação nacional e cobram mudanças no setor de transporte

Categoria afirma que mobilização não tem caráter partidário e aponta crise estrutural, baixa remuneração e insegurança nas estradas como principais motivos do movimento

Atualizado: há 2 semanas

Ricardo Prado

Caminhoneiros de diferentes regiões do país voltaram a se mobilizar e organizam uma paralisação de alcance nacional prevista para a próxima quinta-feira (4). De acordo com representantes da categoria, a iniciativa não possui vínculo com partidos políticos ou pautas ideológicas, tendo como foco exclusivo as condições de trabalho no transporte rodoviário de cargas, consideradas cada vez mais precárias.

Na semana anterior, chegou a ser ventilada uma mobilização motivada por um episódio envolvendo um ex-presidente da República, mas a proposta não obteve adesão significativa e perdeu força entre os profissionais da estrada.

Daniel Souza, influenciador digital que teve participação de destaque na paralisação de 2018, afirmou que o setor precisa voltar atenção à realidade enfrentada diariamente pelos caminhoneiros. Segundo ele, os últimos anos deixaram o país em um cenário de estagnação, enquanto a categoria passou a lidar com remuneração insuficiente, dificuldade para cumprir a legislação por falta de estrutura, ausência de segurança nas rodovias e perda de respeito profissional.

Entre as principais reivindicações apresentadas pelo movimento estão a garantia de maior estabilidade contratual, o efetivo cumprimento da legislação vigente, a reformulação do Marco Regululatório do Transporte de Cargas e a criação de um modelo de aposentadoria especial, com 25 anos de atividade comprovada, seja por recolhimento previdenciário ou por documentação fiscal.

Janderson Macaneiro, conhecido como Patola, representante da Associação Catarinense dos Transportadores Rodoviários de Cargas (ACTRC), demonstrou otimismo em relação à adesão ao movimento, destacando o elevado nível de insatisfação entre os trabalhadores do setor.

Já o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens (Sindcam) informou que não irá se posicionar oficialmente em apoio à paralisação. A entidade, no entanto, afirmou que respeitará a decisão individual de cada caminhoneiro que optar por suspender suas atividades, ressaltando que a adesão ao movimento depende exclusivamente da categoria.
 

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