quarta, 11 março 2026

saúde

há 1 mês

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Anvisa investiga seis mortes suspeitas ligadas ao uso de canetas emagrecedoras no Brasil

Agência identificou mais de 200 notificações de pancreatite associadas a medicamentos usados para diabetes e obesidade; especialistas alertam para riscos do uso sem prescrição.

Atualizado: há 1 mês

Aurélio Filho

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga seis mortes suspeitas por pancreatite possivelmente associadas ao uso de canetas emagrecedoras no Brasil. Os dados fazem parte de um levantamento que reúne ainda 225 notificações de casos suspeitos da inflamação do pâncreas relacionados a esses medicamentos desde 2018.

As informações constam no VigiMed, sistema oficial da Anvisa para monitoramento de eventos adversos, e envolvem fármacos da classe dos agonistas do GLP-1, utilizados no tratamento de diabetes e obesidade. Entre eles estão medicamentos à base de semaglutida, liraglutida, tirzepatida e dulaglutida, amplamente conhecidos pelo efeito de redução de peso.

Segundo a agência, os registros são classificados como suspeitos e ainda passam por análise técnica para verificar se há relação direta entre o uso dos medicamentos e o desenvolvimento da pancreatite. Além disso, a Anvisa alerta que o número de casos pode ser maior, já que a notificação desse tipo de ocorrência não é obrigatória por parte de médicos e hospitais.

Os episódios foram registrados em estados como São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal. No caso das mortes, a Anvisa não divulgou a localização. A agência também ressalta que parte das notificações pode estar relacionada ao uso de produtos falsificados, manipulados ou adquiridos de forma irregular no mercado clandestino.

Especialistas ouvidos destacam que o risco de pancreatite já é conhecido e consta na bula de alguns desses medicamentos. No entanto, reforçam que o uso é considerado seguro quando há indicação adequada e acompanhamento médico, especialmente porque o público que utiliza essas terapias ,  pessoas com obesidade e diabetes, já apresenta maior risco prévio para a doença.

O alerta ganhou repercussão internacional após autoridades do Reino Unido divulgarem dados semelhantes, com registro de mortes associadas à pancreatite em usuários desses medicamentos. No Brasil, a Anvisa afirma que, até o momento, não há recomendação para suspensão do uso, mas reforça a importância da prescrição responsável.

Desde abril de 2025, a venda das canetas emagrecedoras passou a exigir retenção de receita médica, como forma de ampliar o controle e reduzir o uso indiscriminado. A agência informou que segue monitorando os casos e não descarta a adoção de novas medidas, caso sejam identificados riscos adicionais à saúde da população.

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