Tratores novamente tomaram as ruas de Paris nesta terça-feira, enquanto agricultores franceses se mobilizam contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Segundo os manifestantes, o tratado representa uma ameaça à agricultura local, ao favorecer a entrada de produtos sul-americanos mais baratos.
A mobilização, organizada pela FNSEA — uma das maiores centrais sindicais rurais da França — é a segunda em apenas uma semana. O vice-presidente da FNSEA, Damien Greffin, afirmou que a aprovação do acordo, mesmo sem deliberação do Parlamento Europeu, permitirá a importação de produtos que poderiam ser produzidos no país, mas que não seguem os rígidos padrões agrícolas franceses.
Greffin também informou que os protestos continuarão em frente ao Parlamento francês e que uma nova manifestação está marcada para o Parlamento Europeu, em Estrasburgo, no dia 20 de janeiro.
A pressão sobre o governo se intensificou depois que a maioria dos Estados-membros da UE aprovou o tratado na sexta-feira, apesar da resistência da França. Partidos de oposição e sindicatos rurais já apresentaram moções de censura e têm criticado a decisão.
Na semana passada, a Coordination Rurale, outro sindicato agrícola independente, realizou protestos surpresa com tratores sob a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo, reforçando a insatisfação do setor.
O acordo entre UE e Mercosul, considerado “ganha-ganha” por seus defensores, continua a gerar debates sobre os impactos para produtores locais e para a economia do agronegócio brasileiro.









