O Discord suspendeu as transmissões ao vivo, chamadas de vídeo e o compartilhamento de tela para usuários no Brasil. A medida foi adotada nesta segunda-feira (17), após determinação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados, que apontou falhas nos mecanismos de proteção de crianças e adolescentes da plataforma.
A suspensão ocorre após o caso de uma adolescente de 13 anos que teria sido induzida à automutilação e ao suicídio em transmissões realizadas pelo aplicativo. O episódio passou a ser investigado pelas autoridades e levou o órgão federal a cobrar mudanças nos sistemas de segurança do Discord.
A plataforma tinha até esta segunda-feira para cumprir a determinação. A partir de terça-feira (18), deverá comprovar que as funcionalidades foram efetivamente suspensas e apresentar medidas capazes de garantir maior proteção aos menores de idade. Segundo o Estadão Conteúdo, o Discord havia admitido ao governo brasileiro falhas em seu sistema de monitoramento.
O que muda para os usuários
Com a decisão, ficam indisponíveis no Brasil a ferramenta "Go Live", utilizada para transmissões ao vivo, as chamadas de vídeo e o compartilhamento de tela de computadores e celulares.
Outros recursos continuam funcionando normalmente. Os usuários ainda podem utilizar mensagens de texto, participar de servidores públicos ou privados e acessar canais de conversa por áudio.
A suspensão não tem prazo definido para terminar. O retorno das ferramentas dependerá da comprovação, por parte do Discord, de que foram implementados mecanismos considerados suficientes para prevenir e monitorar situações de risco envolvendo crianças e adolescentes.
Discord tenta reverter suspensão
O Discord afirmou que mantém diálogo com autoridades brasileiras e pretende restabelecer os recursos de vídeo o mais rapidamente possível. A empresa também declarou que investe em mecanismos de segurança e que o episódio que motivou a medida envolveu uma atividade criminosa que teria continuado em outras plataformas depois que o servidor relacionado ao caso foi banido.
A determinação do órgão federal é preventiva. Segundo a avaliação apresentada pela autoridade, representantes do Discord não demonstraram, durante reuniões, que a plataforma possuía mecanismos suficientes para proteger menores nas transmissões ao vivo, conforme as exigências estabelecidas pela legislação brasileira de proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
Denúncias contra o Discord aumentaram
Dados da SaferNet apontam crescimento de 54% nas denúncias envolvendo o Discord entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Nos primeiros sete meses deste ano, foram registradas 406 denúncias, contra 264 no mesmo intervalo de 2025. De acordo com a organização, trata-se da maior média mensal registrada desde o início do levantamento, em 2017.
A medida adotada no Brasil ocorre em meio a uma discussão internacional sobre a segurança da plataforma. O Discord já foi bloqueado em países como Rússia, Turquia, Egito, Irã, Jordânia, Emirados Árabes Unidos e Camboja, segundo informações divulgadas pela SaferNet.
Suspensão não significa bloqueio do Discord
Apesar da restrição, o Discord continua disponível no Brasil. A determinação não prevê, neste momento, o bloqueio completo da plataforma, mas apenas a suspensão das funcionalidades relacionadas a vídeo.
A medida ganhou repercussão após a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, defender o bloqueio total do serviço. A autoridade federal, porém, esclareceu que a decisão adotada se limita às transmissões ao vivo e demais recursos de vídeo.

