O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que o país pretende assumir o controle do Estreito de Ormuz após o fim do atual conflito na região. A declaração, divulgada nesta quinta-feira (30), reforça a postura do regime iraniano em meio ao impasse diplomático com os Estados Unidos.
A manifestação foi publicada em uma data simbólica para o país, o Dia Nacional do Golfo Pérsico, e marca uma das raras falas públicas do líder desde que assumiu o comando do regime, há cerca de dois meses.
Discurso reforça confronto geopolítico
No comunicado, Khamenei adotou tom crítico à presença americana na região e indicou que o futuro do Golfo Pérsico deve ocorrer sem influência externa.
“Pela vontade e poder de Deus, o futuro brilhante do Golfo Pérsico será um futuro sem os EUA”, afirmou.
Ele também criticou a atuação de potências estrangeiras na área, destacando que países de fora da região não deveriam interferir no controle de rotas estratégicas.
“Estrangeiros que vêm de milhares de quilômetros de distância, agindo maliciosamente por ganância, não têm lugar ali, exceto no fundo de suas águas”, declarou.
Controle do estreito e impacto global
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo, responsável por cerca de um quinto do fluxo global da commodity. Qualquer tentativa de controle ou restrição na passagem tem potencial de impactar diretamente os preços internacionais de energia.
Segundo o comunicado, o Irã pretende implementar “novos marcos legais e gestão” sobre a via marítima, o que indica a intenção de manter influência direta sobre o tráfego na região. Propostas recentes envolvendo a cobrança de pedágio para navios petroleiros já geraram reação negativa de outros países e dos Estados Unidos.
Impasse nas negociações
As declarações também evidenciam o entrave nas negociações entre Teerã e Washington. Enquanto os EUA pressionam por limites ao programa nuclear iraniano e liberdade de navegação no estreito, o governo iraniano reafirma que não pretende abrir mão dessas capacidades.
No comunicado, Khamenei incluiu o programa nuclear e o desenvolvimento de mísseis entre os “ativos nacionais” que devem ser preservados pelo país.
O cenário atual inclui bloqueios e restrições na região, elevando os preços do petróleo e ampliando a instabilidade econômica. Internamente, o Irã também enfrenta dificuldades, com desvalorização de sua moeda e impactos decorrentes do conflito.
A declaração reforça o tom de confronto e indica que a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz seguirá como um dos principais pontos de tensão geopolítica no curto prazo.


