A ex-modelo brasileira Amanda Ungaro relembrou, em entrevista ao jornal O Globo, uma viagem realizada em 2002 a bordo de uma aeronave associada ao financista Jeffrey Epstein. À época com 17 anos, ela embarcou em Paris com destino a Nova York sem conhecer o histórico do empresário, que anos depois seria acusado de comandar uma rede de exploração sexual de menores.
Segundo o relato, a experiência chamou atenção já nos primeiros momentos, principalmente pela quantidade de jovens presentes no voo. As declarações foram dadas após Amanda retornar ao Brasil, em meio a uma disputa judicial envolvendo a guarda do filho.
Presença de adolescentes gerou estranhamento
Durante a entrevista, Amanda descreveu o ambiente no interior da aeronave e afirmou que a situação lhe pareceu incomum desde o início.
"Tinha mais ou menos umas 30 meninas no avião. Achei aquilo muito estranho", conta Amanda. "Elas eram mais parecidas com estudantes do que com modelos. Bonitas e bem novinhas, mas não tinham perfil de modelo."
Em outro momento, ela resume a impressão inicial: "Tinha umas 30 meninas, bonitas e bem novinhas".
A brasileira afirmou que muitas das jovens aparentavam ter entre 14 e 16 anos e que não demonstravam perfil profissional compatível com o mercado da moda. Segundo ela, o desconforto foi imediato ao perceber a quantidade de adolescentes a bordo.
"Eu fiquei meio assustada quando vi todas aquelas meninas. Eu fiquei 'gente, onde que eu tô?’’", relembra.
Contato com Epstein e comportamento a bordo
Amanda conta que viajava acompanhada de seu agente na época, o francês Jean-Luc Brunel, que a levou até o avião sob o pretexto de um convite para um voo privado. Já dentro da aeronave, ele a apresentou ao dono do jato.
"Deixa eu te apresentar o Jeffrey Epstein", disse o agente.
De acordo com o depoimento, Epstein se aproximou, perguntou sua idade e origem, e pouco depois ela também foi apresentada a Ghislaine Maxwell, parceira do financista.
A brasileira afirma que preferiu se manter isolada durante o trajeto, mas observou interações entre Epstein e outras passageiras.
"Algumas sentavam no colo dele, ficavam perto, brincando", relata. "Dava a impressão de que ela já conhecia aquelas meninas. Não parecia um encontro casual. Aquelas pessoas não tinham acabado de se conhecer, como era o meu caso."
Episódio envolvendo suposta droga
Ainda durante o voo, Amanda afirma ter vivido outro momento de tensão. Segundo ela, seu agente teria tentado convencê-la a guardar um pequeno pacote em sua bolsa.
"Coloca dentro da sua bolsa", teria dito Brunel, de acordo com o relato.
A ex-modelo diz que recusou a solicitação após desconfiar do conteúdo.
"Ali, na hora, eu já percebi mais ou menos que era droga. E falei: 'De jeito nenhum, na minha bolsa não'."
Ela afirma que o agente acabou guardando o objeto por conta própria.
"O que eu mais queria era sair daquele avião. Não estava me sentindo à vontade. Sabia que tinha alguma coisa errada, mas não sabia exatamente o quê."
Caso Epstein segue com repercussão
Jeffrey Epstein ganhou notoriedade internacional após ser acusado de abusar sexualmente de menores e operar uma rede envolvendo jovens e figuras influentes. As denúncias começaram a ganhar força a partir de meados dos anos 2000.
O financista morreu em 2019, enquanto aguardava julgamento nos Estados Unidos. Desde então, documentos, depoimentos e investigações continuam trazendo à tona detalhes sobre o caso.
O relato de Amanda Ungaro se soma a outras narrativas que ajudam a dimensionar o ambiente e as circunstâncias envolvendo o empresário durante os anos em que manteve sua rede de contatos e operações.


