O governo do Irã afirmou nesta quarta-feira (4) que mantém controle total sobre o estratégico estreito de Hormuz, em meio à escalada de tensão com os Estados Unidos. A declaração foi feita por um comandante da Guarda Revolucionária poucas horas após o presidente Donald Trump mencionar a possibilidade de enviar navios da Marinha americana para escoltar petroleiros na região.
O estreito de Hormuz é considerado uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural comercializados globalmente. A área conecta o golfo Pérsico ao golfo de Omã e tem pouco mais de 30 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito.
Horas após as declarações, dois mísseis atingiram um cargueiro com bandeira de Malta nas proximidades de Omã. Autoridades locais informaram que a tripulação foi resgatada. O episódio elevou ainda mais a preocupação internacional sobre a segurança da navegação na região.
Em resposta às falas iranianas, autoridades militares americanas contestaram a afirmação de controle total do estreito e reforçaram a presença naval dos EUA no entorno. Também foi divulgado que um submarino americano teria afundado uma embarcação militar iraniana em águas distantes do estreito, ampliando o alcance geográfico do conflito.
A tensão já impacta o mercado internacional. Segundo dados de monitoramento marítimo, o tráfego de petroleiros na área caiu drasticamente nos últimos dias, enquanto o preço do barril de petróleo registrou alta, atingindo o maior nível desde meados de 2024. Países produtores da região avaliam reduzir temporariamente suas exportações diante do risco de novos ataques.
Especialistas avaliam que o impasse representa um teste estratégico entre Teerã e Washington. O Irã aposta na pressão econômica global provocada pela instabilidade no fornecimento de energia, enquanto os Estados Unidos buscam demonstrar força militar sem ampliar ainda mais o conflito.


