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CIÊNCIA

há 4 meses

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Nova espécie de Spinosaurus mirabilis é identificada no Níger

Predador semiaquático de até 12 metros viveu há cerca de 95 milhões de anos e reforça diversidade de grandes carnívoros do Cretáceo africano

Pesquisadores anunciaram a descoberta de fósseis de uma nova espécie de dinossauro carnívoro no deserto do Saara, no Níger. Batizado de Spinosaurus mirabilis, o animal era um predador semiaquático que alcançava aproximadamente 12 metros de comprimento e podia pesar entre 5 e 7 toneladas. O estudo foi publicado na revista Science.

Os restos fósseis foram encontrados em 2022 na região de Jenguebi, área remota cercada por dunas. A equipe partiu de Agadez e enfrentou dificuldades logísticas, como veículos atolados na areia. Além de crânios e ossos do novo espinossauro, os pesquisadores coletaram fósseis de outras espécies que habitavam o mesmo ambiente.

Alems

Diferenças em relação a outras espécies

Esta é a segunda espécie reconhecida do gênero Spinosaurus, que já incluía o Spinosaurus aegyptiacus, descrito em 1915 a partir de fósseis encontrados no Egito. Ambos compartilham características marcantes, como as espinhas dorsais alongadas que formam uma espécie de “vela” nas costas e o crânio adaptado para capturar peixes.

No entanto, o S. mirabilis apresenta particularidades: uma crista óssea no topo do crânio com cerca de 50 centímetros de altura, em formato semelhante a uma cimitarra, focinho mais alongado, dentes mais espaçados e membros posteriores relativamente mais longos.

O termo mirabilis significa “impressionante”, em referência à crista, que possivelmente tinha função de exibição — seja para atrair parceiros, seja para intimidar rivais.

Especialista em peixes

A pesquisa foi liderada pelo paleontólogo Paul Sereno, da Universidade de Chicago. Segundo ele, o animal pode ser descrito como uma espécie de “garça infernal”, já que caçava grandes peixes, como celacantos, em rios que cortavam florestas no interior do continente africano durante o período Cretáceo.

Entre as adaptações ao ambiente aquático estão narinas posicionadas mais para trás no crânio, permitindo submergir o focinho enquanto respirava, além de dentes cônicos, sem serrilhas, que se encaixavam formando uma espécie de armadilha capaz de perfurar e segurar presas escorregadias.

O coautor Daniel Vidal destacou que o S. mirabilis apresentava adaptações piscívoras mais extremas do que as observadas em outros dinossauros.

Vida em águas rasas

Diferentemente de hipóteses anteriores que sugeriam um estilo de vida totalmente aquático para os espinossauros, os fósseis foram localizados entre 500 e 1.000 quilômetros da antiga costa, indicando que o animal habitava rios e áreas de águas rasas no interior do continente. Para Sereno, a descoberta enfraquece a ideia de que o grupo fosse exclusivamente marinho.

Entre os maiores carnívoros da história

O novo dinossauro passa a integrar o grupo dos maiores predadores terrestres já conhecidos, ao lado de gigantes como Tyrannosaurus rex, Giganotosaurus carolinii e Carcharodontosaurus saharicus.

Popularizado no cinema pela franquia Jurassic Park, o gênero Spinosaurus ganha agora um novo capítulo na história evolutiva dos grandes dinossauros africanos do Cretáceo, ampliando o conhecimento sobre a diversidade e as adaptações desses predadores pré-históricos.

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