Nos últimos dias, a série de incidentes envolvendo extravasamentos de água em áreas de mineração da Vale S.A. voltou a chamar atenção na Região Central de Minas Gerais. Dois episódios foram registrados em menos de 24 horas — um entre os municípios de Congonhas e Ouro Preto, e outro na Mina Viga, em Congonhas — colocando em alerta autoridades, comunidades e órgãos ambientais. As ocorrências seguem sendo monitoradas por equipes técnicas.
25 de janeiro – madrugada: primeiro extravasamento na Mina da Fábrica
Na madrugada de domingo (25), um volume significativo de água com sedimentos transbordou de uma cava da Mina da Fábrica, que integra o complexo de mineração da Vale entre Congonhas e Ouro Preto. A água atingiu áreas da CSN Mineração, causando alagamentos em setores administrativos e operacionais da empresa vizinha.
Apesar do extravasamento ter percorrido parte da área operacional, não houve relatos de feridos nem de comunidades diretamente atingidas por esse evento inicial.
25 de janeiro – tarde: novo vazamento na Mina Viga
Menos de um dia depois, um segundo episódio foi registrado na Mina Viga, em Congonhas. Dessa vez, tratou-se de um extravasamento de sump, ou seja, transbordamento de um reservatório de drenagem de água ou fluidos utilizado na operação da mina. A Defesa Civil constatou que o volume de água acabou sendo despejado no rio Maranhão, um importante curso d’água da região.
Novamente, não houve bloqueio de vias públicas nem relatos de moradores afetados, e o impacto identificado até o momento é de ordem ambiental.
26 de janeiro – monitoramento e mobilização das autoridades
Na manhã desta segunda-feira (26), equipes da Defesa Civil permaneceram no local do segundo vazamento para acompanhar a evolução da situação e identificar possíveis alterações no fluxo de água e sedimentos que possam trazer riscos adicionais.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que também está empenhada na avaliação dos impactos ecológicos decorrentes dos dois extravasamentos e na coordenação das medidas de mitigação necessárias.
Enquanto isso, a Agência Nacional de Mineração (ANM) descartou que o episódio inicial caracterize “ruptura, colapso ou comprometimento de barragens ou pilhas de mineração” nas áreas afetadas e informou que equipes técnicas permanecem no local para fiscalização.
Manifestação da Vale
Em comunicado à imprensa, a mineradora ressaltou que não houve falha em barragens:
“Como é praxe nessas situações, a Vale já comunicou os órgãos competentes e prioriza a proteção das pessoas, comunidades e meio ambiente. As causas do extravasamento de água estão sendo apuradas”.
A empresa ainda reforçou que o incidente não está relacionado às barragens da região, que “seguem sem alterações nas suas condições de estabilidade e segurança e monitoradas 24 horas por dia, 7 dias por semana”.
Contexto e reações locais
Os incidentes acontecem justamente no sétimo aniversário do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, que resultou em graves consequências humanas e ambientais. Esse contexto histórico intensificou a atenção de moradores e autoridades para os novos episódios na região.
Apesar das ocorrências recentes não terem sido associadas a falhas estruturais de barragens de rejeitos, especialistas e lideranças locais reivindicam maior rigor na fiscalização e no monitoramento das áreas de mineração, especialmente em períodos de chuvas intensas, para prevenir novos vazamentos que possam comprometer ecossistemas e comunidades.
Com as investigações em curso e o monitoramento contínuo, as autoridades reforçam que continuam atentos ao desenrolar dos eventos e à necessidade de respostas rápidas para proteger o meio ambiente e a população da região.


