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Relato

há 7 meses

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Vítima brasileira detalha violações cometidas por Jeffrey Epstein a partir dos 14 anos

Em depoimento televisionado, mulher de 37 anos descreve escalada progressiva de abusos na residência do financista em Nova York, iniciados em 2002 e prolongados por três anos

A brasileira Marina Lacerda, de 37 anos, revelou em entrevista concedida ao programa Fantástico, exibido pela TV Globo, os episódios de violência sexual que alega ter sofrido nas mãos do financista norte-americano Jeffrey Epstein, começando quando ela contava apenas 14 anos de idade. Figura central em acusações de comandar uma vasta operação de exploração sexual envolvendo adolescentes, Epstein foi encontrado morto em sua cela em 2019, semanas após nova detenção, com laudo oficial apontando suicídio.

O primeiro contato na mansão

Acompanhada por uma conhecida, Marina foi levada até a imponente propriedade de Epstein na região de Manhattan. Uma funcionária da casa as guiou até uma sala destinada a massagens. Lá, o empresário se aproximou, indagando sobre a origem e a identidade da jovem.

Alems

“Naquele momento, eu não estava esperando, ele virou para a menina e disse 'pode ficar confortável. Ela tirou a blusa, virou pra mim e falou 'Marina, tira a blusa'. Eu fiquei super pressionada. Eu falei 'meu Deus, o que eu faço nessa situação?'. Estava até com vergonha de falar 'não'. Não sabia como sair daquela situação. Uma pessoa que parecia super poderosa, não só por causa do dinheiro, mas por causa de onde a gente estava, por causa das fotos, da casa. Eu tirei a blusa. Fiz uma massagem. Pronto, acabou. Ele deu o dinheiro para ela e fui embora”, relatou Marina Lacerda.

Escalada dos abusos abusos

Após o episódio inicial, Marina confrontou a amiga que a acompanhara, questionando por que não havia sido alertada sobre a necessidade de remover peças de roupa. A resposta foi de que ambas permaneceram de lingerie, o que não configuraria problema maior. A brasileira atribui parte da sua dificuldade em reagir ao fato de já ter sofrido violência sexual anterior, perpetrada pelo padrasto, o que, segundo ela, comprometeu sua percepção sobre limites adequados.

Pouco tempo depois, Epstein manifestou interesse em novo encontro. “E, naquele tempo, eu pensei 'gente ele não tá me tocando, ele não fez nada errado'. Dei uma massagem nele. Mas as coisas começaram a piorar. Evoluiu para outras coisas. Começou tirando a blusa. Na próxima vez, tira o sutiã. Depois de tirar o sutiã, ele começava a se tocar. Depois de se tocar, ele começou a me tocar e foi evoluindo isso. Eu não sei como que eu aceitei isso, mas eu aceitei”, afirmou Marina Lacerda.

Em declaração anterior à emissora estadounidense ABC, ela afirmou ter sido coagida a manter relações sexuais completas com o financista, com os episódios se estendendo ao longo de três anos.

Histórico do caso Epstein

As apurações contra Epstein tiveram início em 2005, após denúncia de pais de uma adolescente de 14 anos abusada em sua residência na Flórida. Isso desencadeou uma série de revelações, culminando em condenação em 2008 por proxenetismo de menores e exploração sexual. O acordo judicial então firmado — criticado por sua leniência — limitou a pena a 13 meses de detenção e registrou o nome do réu como delinquente sexual.

Em 2019, autoridades federais consideraram o pacto inválido, levando à prisão em Nova York. Epstein morreu um mês depois, com exame necroscópico confirmando enforcamento. Teorias alternativas sobre assassinato circulam até hoje, mas carecem de evidências concretas.

Após o falecimento, as charges contra ele foram arquivadas, porém processos prosseguiram contra cúmplices. Ghislaine Maxwell, antiga companheira do financista, recebeu sentença de 20 anos de reclusão em 2022.

O escândalo segue gerando repercussão política nos Estados Unidos, com menções ao nome do presidente Donald Trump em documentos e críticas à decisão recente do Departamento de Justiça de não liberar novos arquivos relacionados à investigação.
 

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