A possibilidade de aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), reacendeu discussões sobre a sucessão na Corte e abriu espaço para movimentações políticas no governo. Aos 67 anos, o magistrado poderia permanecer até os 75, mas avalia deixar o tribunal após o fim de sua gestão na presidência, em setembro.
Segundo interlocutores, Barroso estaria desmotivado com o que chama de “crise de civilidade” em escala global e considera que já cumpriu seu papel no Supremo. Próximos ao ministro relatam que ele tem manifestado interesse em retomar atividades acadêmicas, como lecionar e palestrar, mas não descarta assumir um posto diplomático, caso seja convidado pelo governo.
Outro fator que pesaria em sua decisão é o cancelamento do visto para os Estados Unidos, país com o qual mantém estreita relação acadêmica. Barroso, colaborador da Harvard Kennedy School, costuma passar temporadas no país e teria sentido o impacto da medida, atribuída à ofensiva do ex-presidente Donald Trump contra magistrados brasileiros.
O cenário pós-presidência do STF também contribui para a reflexão. Com a posse de Edson Fachin na presidência, Barroso passará a integrar a Segunda Turma, composta por ministros com quem tem menor proximidade, como Gilmar Mendes, André Mendonça e Nunes Marques.
Caso a aposentadoria antecipada se confirme, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá a oportunidade de indicar um novo nome ao Supremo ainda neste mandato. O advogado-geral da União, Jorge Messias, aparece como um dos favoritos, ao lado da presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha. (com inf. da CNN)

