quinta, 16 abril 2026

ARTIGO DE OPINIÃO

há 9 meses

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Após sanções de Trump, Lula se fortalece, Moraes segue no STF e é o povo quem paga a conta

Aposta em sabotagem internacional fracassa: Moraes segue no STF, Centrão fecha com o governo e tarifa de Trump pesa no bolso do brasileiro

Atualizado: há 9 meses

Da redação

As sanções comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil — articuladas pelo ex-presidente Donald Trump e supostamente incentivadas por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro — tiveram um efeito colateral inesperado: reforçaram o núcleo político do governo Lula, ampliaram sua base de apoio no Congresso e deixaram ainda mais isolada a oposição. Enquanto isso, é a população brasileira quem sente no bolso o custo da instabilidade criada no exterior.

A medida, que elevou tarifas de importação sobre produtos como carne, aço e celulose, surgiu em meio ao agravamento da crise política envolvendo a família Bolsonaro. Jair Bolsonaro, investigado por participação em tentativa de golpe de Estado e fraudes em documentos oficiais. Seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, permanece nos Estados Unidos em um autoexílio informal, acusado por líderes políticos e analistas de articular diretamente com o entorno de Trump uma forma de retaliar o governo brasileiro.

A estratégia de sabotagem, no entanto, teve o efeito oposto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não apenas manteve sua governabilidade, como viu crescer sua influência sobre o Congresso com o apoio do Centrão — bloco político que tradicionalmente define os rumos das votações legislativas. A aliança permitiu ao governo aprovar pautas estratégicas, assegurar estabilidade institucional e, de quebra, recuperar a popularidade junto a setores do eleitorado que antes mantinham distância.

Já o ministro Alexandre de Moraes, apontado como outro alvo das sanções, segue atuando no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ainda que fora da presidência das cortes. A tentativa de enfraquecer sua atuação — especialmente diante das investigações sobre redes de desinformação e tentativa de subversão da ordem democrática — não surtiu efeito prático.

Do ponto de vista econômico, porém, o impacto é real. Com o aumento das tarifas, setores produtivos enfrentam aumento nos custos de exportação, retração nas margens de lucro e riscos de desemprego em cadeias como o agronegócio e a indústria de base. O consumidor final pode enfrentar alta de preços e perda de competitividade, num momento em que a economia busca consolidar sua recuperação.

Ao mirar Lula e Moraes, os articuladores da retaliação internacional acabaram por enfraquecer ainda mais seus próprios aliados. O Brasil se tornou alvo de medidas punitivas no exterior em meio à crise de credibilidade provocada pelas ações da antiga cúpula do governo Bolsonaro, agora desmoralizada ou detida.

A tentativa de transferir para fora do país o desgaste político interno resultou num revés diplomático, econômico e institucional. A consequência é clara: os adversários saíram fortalecidos, e o povo brasileiro, mais uma vez, paga a conta.

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