Bianca Sidrins e Mariana Gonçalves têm histórias diferentes, mas um ponto em comum: ambas escolheram a arte como caminho. Agora, as jovens, que transformaram desafios em potência criativa, vão levar suas vozes, talentos e experiências para um dos maiores encontros de juventudes criativas do país: o Festival LABmais 2025, que acontece de 4 a 6 de setembro, em Caxias do Sul (RS).
Bianca tem 21 anos, cresceu na periferia de Campo Grande e encontrou na produção audiovisual uma forma de contar histórias que quase nunca encontram os holofotes. A oportunidade chegou há um ano e meio, quando entrou para o LABmais, projeto do Sesc que incentiva a criação e a experimentação artística por meio da tecnologia e das mídias. O convite partiu de um amigo e, de lá para cá, produziu curtas, documentários, podcasts, exposições e vídeos institucionais.
No festival, ela será uma das vozes do painel Criar é Resistir: Artivismo, Identidade e Sustento – Potências Criativas. “Quero mostrar como os jovens estão correndo para se sustentar através da arte e dar visibilidade à cultura da periferia e indígena. Vou levar também um pouco da nossa cultura regional”, afirma.
Ela relembra os medos e a sensação de não saber por onde começar. “Eu tive que superar a mim mesma nesse começo da jornada: medos, receio, ansiedade… São tantas informações, tantas preocupações. Eu me sentia completamente perdida. No LABmais e na vida conheci pessoas maravilhosas e experientes na área, que se mostraram sempre dispostas a ajudar”, conta.
Hoje, Bianca vê sua trajetória como um processo de evolução constante. “Ver o quanto cresci profissionalmente me inspira a buscar mais conhecimento e ir além. Quero que mais pessoas sejam alcançadas por esse trabalho, afinal, nós mesmos não conhecemos nossa própria cultura. Estou cada vez mais encantada com a riqueza sul-mato-grossense”, diz.
E é a cultura indígena do seu povo Terena que também inspira Mariana Gonçalves, de 26 anos, moradora de Campo Grande, como Bianca. Professora de percussão sustentável, com instrumentos de garrafa pet e sementes, Mariana trabalha em regiões de vulnerabilidade social, onde desenvolve sons que unem música eletroacústica e ritmos indígenas e músicas tradicionais, incorporando tradição e experimentação em tempo real.
No Festival LABmais, ela apresentará uma improvisação sonora com instrumentos tradicionais dos povos do Pantanal, criando uma ponte entre saberes indígenas e tecnologia. “Dividir minha arte com jovens de outras regiões é uma grande alegria. Quero mostrar como podemos unir nossas origens ancestrais com inovação e criar outras formas de expressão artística”, diz.
A história de Mariana, no entanto, não foi fácil. “Ser uma mulher indígena no meio cultural é um desafio muito grande e passei por situações que me fizeram ter vontade de desistir. Mas lutamos todos os dias e nos fortalecemos com a sabedoria ancestral”, conta. Para ela, fazer cultura é promover encontros: “A cultura já está no nosso modo de ser. Precisamos dialogar sempre, respeitando e aprendendo um com o outro”, reflete.
Intercâmbio entre juventudes
O projeto LABmais é realizado em 17 estados e forma jovens para o desenvolvimento de diferentes conteúdos, como podcasts, filmes, clipes, ensaios fotográficos, book trailers e muitos outros processos artísticos e na área da cultura, sempre em sintonia com tecnologias de interação midiática comuns a essa geração.
O Festival LABmais 2025 tem como tema "Entre corres e conexões: o que sustenta as juventudes?". Por meio de oficinas, painéis e performances artísticas, os jovens, que também participaram da construção da programação do evento, poderão colocar em pauta questões como comunicação e o respeito ao coletivo e uma produção cultural mais diversa.









