A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros gerou forte reação em todo o país, e em Mato Grosso do Sul não foi diferente. O presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (FIEMS), Sérgio Longen, classificou a medida como “inaceitável” e alertou para os impactos diretos na economia do estado, que já exportou cerca de US$ 320 milhões para os EUA apenas neste ano.
Longen destacou os principais setores atingidos e pediu diálogo, em vez de retaliações imediatas.
“Em primeiro lugar, a gente tem defendido a competitividade da indústria brasileira. Sobretaxar neste momento é algo difícil, é inaceitável nesses padrões.”
Longen aponta que os principais produtos exportados por Mato Grosso do Sul — carne bovina, minério de ferro e celulose — estão entre os mais prejudicados com a nova tarifa, o que poderá afetar diretamente a geração de emprego e renda no estado.
“Entendemos que o presidente americano vem utilizando dessa estratégia com diversos países. Chegou a vez do mercado brasileiro. Mato Grosso do Sul será afetado, claro. Nós temos aí cerca de 320 milhões já exportados.”
Apesar da tensão, o presidente da FIEMS prega cautela e aposta em uma saída diplomática.
“Entendemos que temos chances de negociar com o presidente americano no mesmo formato que ele fez com os outros países. Não adianta de nada nós, nesse momento, iniciarmos aí uma guerra tarifária.”
“Precisamos dialogar. O presidente [Trump] não nos deu chance de diálogo, simplesmente fez isso via ofício, o que não entendemos ser uma medida muito democrática. Mas foi a forma que ele escolheu. Agora precisamos sentar à mesa e propor uma solução.”
A resposta do governo brasileiro já foi sinalizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que anunciou a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica — legislação aprovada em abril e que autoriza medidas como a suspensão de concessões comerciais e de direitos de propriedade intelectual em resposta a ações unilaterais de outros países.
Para Longen, o ideal seria evitar o confronto direto.
“Eu acho que é essa a democracia que nós esperamos ter com os Estados Unidos.”
O setor industrial sul-mato-grossense aguarda os próximos passos do governo federal e teme impactos mais duradouros caso não haja uma solução diplomática rápida.









