A instabilidade gerada pela possível aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos afetou diretamente o mercado da carne bovina em Mato Grosso do Sul. Em 16 dias, o valor da arroba do boi caiu R$ 17,24 no estado — uma retração de 5,69%, segundo dados da Granos Corretora.
No início de julho, mais precisamente no dia 9, a arroba estava cotada a R$ 302,89. No dia 23, o valor já havia recuado para R$ 285,65. Já no final do mês, em 31 de julho, o preço estava em R$ 293,04 — ainda abaixo do patamar inicial.
A medida tarifária, anunciada inicialmente pelo ex-presidente americano Donald Trump, previa entrada em vigor nesta sexta-feira (1º), mas foi adiada para o próximo dia 7 de agosto. Apesar de algumas commodities brasileiras, como celulose e ferro-gusa, terem sido retiradas da lista de taxação, a carne bovina foi mantida, com cobrança de até 50% sobre parte dos produtos.
Conforme explicou Régis Comarella, presidente do Sicadems (Sindicato das Indústrias de Frio, Carnes e Derivados de MS), o impacto da queda de preços deve chegar ao consumidor, principalmente na carne de segunda, que costuma ser exportada para o mercado norte-americano. “O mercado teve uma baixa, mas já iniciou reação. A tendência é de queda no preço da carne de segunda no mercado interno, embora ainda não possamos prever até onde isso vai”, disse.
Apesar da oscilação nos bastidores do mercado, o consumidor final ainda não sentiu a diferença nos açougues. Em um estabelecimento no bairro Carandá Bosque, por exemplo, os preços seguem estáveis. “Houve uma pequena queda logo após a notícia, mas depois o preço voltou ao normal”, afirmou o atendente Cauai Rigo. No local, cortes como patinho e coxão mole seguem a R$ 52,90 o quilo, e o coxão duro, a R$ 49,90.
Entre janeiro e junho deste ano, Mato Grosso do Sul exportou cerca de 145,9 mil toneladas de carne bovina, somando US$ 758,9 milhões. Desse total, US$ 315,5 milhões foram destinados ao mercado dos Estados Unidos, o que representa um crescimento de 11,4% em comparação com o mesmo período de 2024.
A expectativa do setor é de que o desfecho sobre as tarifas nos próximos dias traga mais clareza ao mercado e influencie diretamente os preços ao consumidor no curto prazo.











