quarta, 11 março 2026

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Haddad avalia que juros altos podem afetar equilíbrio das contas públicas

Ministro da Fazenda afirma que Selic em nível restritivo tende a desacelerar a economia e gerar impactos negativos sobre a política fiscal

Atualizado: há 1 mês

Ricardo Prado

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (6) que o atual patamar da taxa básica de juros pode dificultar os esforços fiscais do governo. Segundo ele, uma política monetária excessivamente restritiva tem potencial para desacelerar a atividade econômica e, como consequência, prejudicar o desempenho das contas públicas.

Atualmente, a taxa Selic está fixada em 15% ao ano. Haddad voltou a defender que política fiscal e política monetária precisam atuar de forma coordenada para garantir crescimento econômico com estabilidade.

Juros elevados e efeitos sobre a economia

Durante participação em um evento do PT, em Salvador, o ministro destacou que juros altos por tempo prolongado podem ter reflexos diretos na arrecadação e no cumprimento das metas fiscais.

“Taxa de juros está restritiva em um patamar que pode comprometer, inclusive, o trabalho fiscal. Porque, a partir do momento que a economia começar a desacelerar demais, você vai ter um rebatimento na política fiscal“, afirmou.

Haddad ressaltou, no entanto, que está em período de férias e que suas declarações não representam uma posição oficial do Ministério da Fazenda.

Expectativa de corte e papel do Banco Central

O ministro também mencionou que a sinalização dada na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), indicando a possibilidade de redução dos juros no próximo encontro, aponta para um processo gradual e consistente de flexibilização monetária.

Segundo Haddad, apenas os integrantes do Banco Central que compõem o Copom têm acesso completo aos dados que embasam a decisão sobre a Selic.

“Quem está naquela cadeira sabe onde está apertando o calo. Tenho dito, desde o ano passado, que eu achava que já era hora de começar pensar em uma trajetória consistente para não voltar mais. Nós temos de ir para o juro de um dígito e nunca mais pensar em juro de dois dígitos no Brasil”, declarou.

Em declarações anteriores, o ministro já havia afirmado que, se integrasse a diretoria do Banco Central, teria votado pela redução da taxa básica de juros.

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