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domingo, 17 maio 2026

Fazenda

há 1 semana

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Governo prepara nova fase do Desenrola para quem paga em dia e trabalhadores informais

Ministério da Fazenda quer ampliar alcance do programa e oferecer crédito mais barato a públicos fora da inadimplência tradicional

Atualizado: há 1 semana

Ricardo Prado

O governo federal deve anunciar, até o início de junho, uma nova etapa do programa Desenrola Brasil, com foco em públicos que ficaram de fora das primeiras ações: consumidores adimplentes e trabalhadores informais. A informação foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao detalhar os próximos passos da política de crédito.

A iniciativa surge após o lançamento recente do Novo Desenrola, voltado principalmente à renegociação de dívidas em atraso, e amplia o escopo do programa em meio ao cenário de alto endividamento no país.

Nova frente mira juros altos e falta de acesso ao crédito

Segundo Durigan, a ideia é criar linhas específicas para reduzir o peso dos juros, especialmente em modalidades como o rotativo do cartão de crédito, que seguem entre as mais caras do mercado.

“Estamos estudando uma segunda rodada para quem está adimplante e tem juros alto. Seja uma pessoa que é informal, por exemplo. O informal no país não tem uma renda fixa por mês, um salário recorrente, uma loja com um histórico de recorrência, de recebimento. Então, ele tem de ir lá ganhar o seu dia a dia de maneira pontual e errática. E ele é quem mais toma juros caros no país”, afirmou o ministro.

Ele também antecipou o cronograma da medida: “Então, nós estamos estudando uma linha para os informais para ser anunciada no fim de maio, começo de junho”.

A proposta busca corrigir uma distorção recorrente no sistema financeiro brasileiro, onde trabalhadores sem renda formal acabam pagando taxas mais elevadas justamente por terem maior dificuldade de comprovar capacidade de pagamento.

Programa amplia alcance em meio a críticas operacionais

O Novo Desenrola foi lançado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a promessa de reduzir o endividamento da população, oferecendo descontos médios de até 65% e juros limitados a 1,99% ao mês. A medida tem duração prevista de 90 dias e abrange diferentes perfis, incluindo famílias de baixa renda, estudantes e pequenos empreendedores.

Apesar disso, o início do programa foi marcado por atrasos na regulamentação. A portaria com as regras operacionais só foi publicada após o início oficial, o que gerou dúvidas entre instituições financeiras responsáveis pela execução.

Durigan destacou que o foco inicial segue sendo quem está inadimplente: “A gente tem um primeiro momento agora que o Desenrola para quem é inadimplente e de fato tem uma dificuldade na vida. Essa pessoa que está inadimplente, dessa primeira leva, ela não tem crédito, ela não tem cartão de crédito, ela está com o nome negativado. Além de ter angústia pessoal, que nós não queremos que a pessoa fique com isso, ela não está conseguindo tomar crédito novo para fazer a sua vida rodar”.

Com a nova etapa em estudo, o governo tenta ampliar o alcance do programa e responder a críticas sobre a limitação inicial, mirando agora um público que, embora não esteja negativado, também enfrenta restrições no acesso a crédito mais barato.

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