quarta, 11 março 2026

Caso Master

há 1 mês

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Galípolo compara Master a clube da 3.ª divisão e minimiza repercussão internacional da liquidação

Presidente do Banco Central afirma ter dificuldade em explicar reação ao fechamento da instituição e detalha atuação do BC no processo

Atualizado: há 1 mês

Ricardo Prado

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, comparou o Banco Master a um time de futebol da terceira divisão ao comentar a repercussão gerada pela liquidação da instituição financeira. Segundo ele, há dificuldade em justificar, a interlocutores estrangeiros, a “comoção” provocada pelo caso. A declaração foi feita durante palestra em um evento sobre estabilidade financeira promovido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), em São Paulo.

Na apresentação, Galípolo descreveu a atuação do Banco Central ao longo do processo e afirmou que não houve falhas nem atrasos por parte da diretoria da autarquia. As medidas adotadas culminaram, em 18 de novembro de 2025, na decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master e na instauração do Regime de Administração Especial Temporária (RAET).

Captações e questionamentos iniciais

Durante o evento, Galípolo comentou críticas feitas à operação do banco, especialmente em relação à emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remuneração acima do CDI. Ele ressaltou que esse tipo de prática não é proibido pela regulamentação vigente.

“Mas, como se sabe, não há nenhum tipo de regra que vede essas captações a uma taxa como aquela”, afirmou. “Então, aquilo não configuraria, como muita gente achou que poderia configurar, um objeto para fazer qualquer coisa como liquidar o banco.”

Etapas da intervenção

O presidente do BC também detalhou a sequência de eventos que antecederam a liquidação. Segundo ele, ainda no fim de 2024, o Banco Master passou a enfrentar “problemas de credibilidade, de dificuldades de fazer captação em plataforma”. “Isso impõe restrições de liquidez”, disse.

Galípolo explicou que, em novembro daquele ano, a Diretoria de Fiscalização do BC convocou a instituição para um termo de comparecimento, aplicando um “cartão amarelo” e concedendo seis meses — e não quatro — para que fossem apresentadas correções relacionadas à liquidez, governança e patrimônio.

Em janeiro, conforme relatado, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, passou a questionar determinadas negociações envolvendo carteiras do banco. “O que soou estranho era a formação de novas carteiras, num cenário de problemas de liquidez”, afirmou. Em fevereiro, foi criado um grupo específico para analisar essas operações.

Análises e entraves

De acordo com Galípolo, os primeiros estudos apresentados em março não encontraram indícios que confirmassem a existência das carteiras analisadas. “Não foram encontradas evidências que corroborassem a existência da carteira”, declarou. Nesse contexto, surgiram discussões internas sobre a necessidade de divulgação de fatos relevantes e, paralelamente, a possibilidade de aquisição do banco pelo Banco de Brasília (BRB).

O presidente do BC afirmou que a análise se prolongou porque os documentos encaminhados eram incompletos. “A análise demorou porque a documentação chegava de maneira incompleta. O diretor de Fiscalização deu o cartão amarelo, identificou o que potencialmente possa ser a fraude, notificou o Ministério Público”, disse.

Ele também elogiou a atuação de Renato de Brito Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro do BC. “Preciso dar o mérito a Renato de Brito Gomes (diretor de Organização do Sistema Financeiro do BC), que foi extremamente diligente na proposta de aquisição.”

Atuação do FGC e decisão final

A partir de abril, segundo Galípolo, houve uma coordenação direta com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). “Não há nenhuma carta com valor ou coisas desse tipo”, afirmou. “O que o FGC passou a fazer foi pagar os CDBs que já teria de pagar no caso de uma liquidação.”

Para o presidente do Banco Central, a atuação conjunta com o FGC foi decisiva tanto para a rejeição da proposta de compra do Banco Master pelo BRB quanto para a decisão final pela liquidação da instituição.

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