A prolongada desvalorização da celulose no mercado internacional levou a Suzano a emitir um alerta contundente: os preços atuais estão em um nível “completamente insustentável”. A maior produtora mundial do setor, que mantém três fábricas em Mato Grosso do Sul, afirmou que o cenário ameaça a sobrevivência de parte da indústria e já provoca retração na produção global.
De acordo com dados divulgados pela companhia, cerca de 15% da capacidade mundial de fibra curta opera abaixo do custo de caixa, especialmente na Europa. A Suzano já reduziu sua produção em 450 mil toneladas desde agosto, após 13 meses consecutivos de preços abaixo de US$ 600 por tonelada.
O impacto dessa crise é direto em Mato Grosso do Sul, onde a celulose lidera a pauta de exportações, respondendo por 29,4% das vendas externas do Estado. Apesar do aumento de 57% no volume exportado neste ano, o faturamento subiu apenas 25%, reflexo da queda no preço médio da tonelada, que passou de US$ 570 em 2024 para US$ 456 em 2025. A perda acumulada chega a cerca de R$ 3,6 bilhões.
Mesmo em meio ao desaquecimento do mercado, a empresa afirma que tem conseguido conter custos. O custo caixa caiu para R$ 801 por tonelada, o menor nível em anos, impulsionado por reduções no preço da madeira e da energia. O novo contrato com a Eldorado Brasil, válido a partir de 2026, deve ampliar essa eficiência.
A Suzano considera inevitável um ajuste na oferta mundial nos próximos trimestres, especialmente diante do aumento dos custos de produção e da baixa rentabilidade nas fábricas da Europa e da América do Norte.
Enquanto isso, a empresa adota postura de cautela e foco em produtividade. Segundo o presidente Beto Abreu, o momento é de consolidar resultados e otimizar investimentos já realizados, sem previsão de novos projetos de expansão









