quarta, 11 março 2026

Economia

há 1 mês

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Correios recorrem à venda de imóveis para tentar conter crise financeira

Estatal inicia leilões em 12 estados e aposta em arrecadação de até R$ 1,5 bilhão como parte do plano de reestruturação

Atualizado: há 1 mês

Aurélio Filho

Pressionados por uma deterioração acelerada das contas, os Correios decidiram transformar imóveis próprios em caixa. A estatal anunciou a venda de ativos imobiliários em diferentes regiões do país como uma das principais medidas do plano de reestruturação financeira em curso.

A primeira fase do processo prevê dois leilões, marcados para os dias 12 e 26 de fevereiro, com a oferta inicial de 21 imóveis localizados em 12 estados brasileiros. Os certames serão realizados de forma totalmente online, permitindo a participação de pessoas físicas e jurídicas interessadas.

Entre os imóveis colocados à venda estão prédios administrativos, galpões logísticos, terrenos, lojas e apartamentos funcionais. Os lances iniciais variam de R$ 19 mil a R$ 11 milhões. Segundo a empresa, os ativos são considerados ociosos e sua alienação não deve comprometer o funcionamento dos serviços postais.

A expectativa dos Correios é arrecadar até R$ 1,5 bilhão com a venda dos imóveis até o fim de 2026. O montante deve ser usado para reduzir custos, equilibrar o fluxo de caixa e recuperar a capacidade de investimento da estatal, que enfrenta uma das piores crises financeiras de sua história.

Os números do balanço evidenciam a gravidade do cenário. Em 2022, a empresa fechou o ano com prejuízo superior a R$ 700 milhões. Dois anos depois, o déficit saltou para R$ 2,5 bilhões, e a estimativa interna aponta um rombo de até R$ 10 bilhões em 2025. Para 2026, a projeção é ainda mais preocupante, podendo chegar a R$ 23 bilhões.

Além da venda de imóveis, o plano de reestruturação inclui a abertura de um programa de demissão voluntária, com meta de reduzir em cerca de 15 mil o número de funcionários, hoje em torno de 90 mil. Também está previsto o fechamento de até mil agências em todo o país — 121 já foram desativadas.

Para manter as operações, os Correios recorreram a um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras, com garantia do Tesouro Nacional. Até agora, R$ 10 bilhões já foram liberados para pagamento de dívidas e custeio das atividades.

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