A nova escalada da guerra envolvendo o Irã provocou alta nas cotações internacionais do petróleo e reacendeu o debate sobre possíveis reajustes nos combustíveis no Brasil. Embora o cenário traga pressão sobre os preços internos, analistas afirmam que não há risco de falta de produto no país.
Com o barril sendo negociado em torno de US$ 80, aumentou a defasagem entre os valores praticados nas refinarias brasileiras e a paridade internacional. De acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o diesel vendido pela Petrobras apresenta diferença de R$ 0,73 por litro em relação ao mercado externo, enquanto a gasolina registra defasagem de R$ 0,42.
A Petrobras ainda não anunciou reajustes e informou que monitora o cenário global antes de qualquer decisão. A estatal costuma aguardar maior estabilidade nas cotações, especialmente em períodos de forte volatilidade.
Economistas apontam que os efeitos dependerão da duração e da intensidade do conflito, sobretudo se houver impacto prolongado em rotas estratégicas como o Estreito de Hormuz, responsável por uma parcela significativa do fluxo mundial de petróleo.
Apesar das incertezas, o Brasil, como exportador de petróleo, não depende da região em conflito para manter o abastecimento. A maior parte do diesel importado pelo país vem dos Estados Unidos e da Rússia, o que reduz o risco de interrupções no fornecimento.
Por outro lado, a manutenção de preços elevados pode pressionar a inflação e dificultar o ciclo de cortes na taxa básica de juros, diante do impacto direto dos combustíveis sobre a economia.









