terça, 14 abril 2026

Trabalho

04/03/2026 14:30

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CEO do Assaí apoia debate sobre flexibilização da jornada 6x1

Belmiro Gomes afirma que empresa seguirá eventual mudança na lei e defende revisão mais ampla do modelo de contratação

Atualizado: 04/03/2026 12:44

Ricardo Prado

O diretor-presidente do Assaí Atacadista, Belmiro Gomes, declarou que a companhia está preparada para se adequar a possíveis alterações na legislação trabalhista relacionadas à escala 6x1, atualmente em discussão no Congresso Nacional. A manifestação foi feita durante entrevista ao programa Hot Market, da CNN Brasil.

À frente de uma rede que emprega cerca de 90 mil trabalhadores, Gomes afirmou que o modelo de atacarejo adotado pela empresa demanda menos mão de obra do que o varejo tradicional, o que, segundo ele, reduz o impacto operacional de eventuais mudanças.

"Nós somos uma operação de baixo custo, então, no caso de uma eventual mudança, obviamente, a gente vai se ajustar como o restante do mercado", garantiu.

Mudanças nas relações de trabalho

Durante a entrevista, o executivo destacou que o mercado de trabalho passou por transformações significativas nas últimas décadas, inclusive na forma como o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é percebido socialmente.

"Você tinha aquele orgulho da carteira assinada e hoje, se você acompanha a rede social, você percebe que o CLT acabou virando um motivo até muitas vezes de chacota", observou.

Para Gomes, o avanço de novas modalidades de trabalho, especialmente aquelas mediadas por aplicativos, evidencia uma demanda crescente por formatos mais flexíveis de contratação.

Defesa de maior flexibilidade

O CEO argumentou que a discussão sobre a escala 6x1 deveria ser acompanhada de uma análise mais ampla do próprio modelo celetista. Ele sustenta que o atual sistema representa custo elevado para as empresas e nem sempre atende às expectativas dos trabalhadores.

"Na hora que você oferece flexibilidade, ela é muito importante para a população", afirmou Gomes.

Segundo ele, o setor varejista enfrenta desafios específicos em razão da variação de movimento ao longo da semana e do mês. "Você não tem numa segunda e terça-feira o mesmo nível de movimento que tem no sábado. A gente não tem no meio de mês o mesmo nível de movimento que nós temos no início de mês", explicou.

O executivo também mencionou o crescimento dos Microempreendedores Individuais (MEIs) como indício de que parte da população busca alternativas ao emprego formal tradicional.

"Acredito que esse é o primeiro passo. A questão da escala, ela deve ser precedente de uma discussão maior que é o próprio modelo em si da CLT na medida que novas relações de trabalho surgiram", concluiu Gomes, defendendo ainda a possibilidade de remuneração por hora trabalhada, prática adotada em outros países.

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