O trabalhador de Campo Grande precisou dedicar 109 horas e 28 minutos de trabalho para comprar os alimentos da cesta básica em setembro de 2026. O conjunto de produtos custou R$ 806,56, valor que comprometeu 53,79% da renda líquida de quem recebe o salário mínimo nacional, de R$ 1.621.
Os dados são da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Em relação a agosto, o preço da cesta básica em Campo Grande teve alta de 0,18%. Apesar da pequena variação mensal, o aumento acumulado entre dezembro de 2025 e setembro de 2026 chegou a 3,95%. Na comparação com os últimos 12 meses, a alta foi de 3,32%.
Cesta básica compromete mais da metade da renda líquida
O levantamento considera o salário mínimo de R$ 1.621, com desconto de 7,5% referente à contribuição previdenciária. Nesse cenário, mais da metade da renda líquida do trabalhador é destinada à compra dos 13 produtos que compõem a cesta básica.
Em setembro de 2025, o custo dos alimentos comprometia 55,60% da renda líquida. Naquele mês, o trabalhador precisava de 113 horas e 8 minutos de trabalho para comprar os produtos. Em agosto de 2026, o tempo necessário era de 109 horas e 16 minutos, passando para 109 horas e 28 minutos em setembro.
Tomate e batata puxam alta dos alimentos
O aumento da cesta básica em Campo Grande foi influenciado principalmente pelo tomate e pela batata. Em setembro, o preço do tomate subiu 19,40%, enquanto o da batata teve alta de 13,10%. O arroz agulhinha também ficou mais caro, com aumento de 4,77%.
Outros produtos registraram elevação mais moderada: óleo de soja, com alta de 1,70%, e pão francês, que ficou 1,10% mais caro.
Por outro lado, oito dos 13 produtos pesquisados tiveram redução de preço no mês. O leite integral apresentou a maior queda, de 4,28%, seguido pelo feijão carioca (-3,46%), café em pó (-2,70%), carne bovina de primeira (-2,47%) e banana (-2,37%).
Também ficaram mais baratos a manteiga (-1,05%), a farinha de trigo (-0,69%) e o açúcar cristal (-0,35%).
Batata acumula alta de quase 70% em 12 meses
Na comparação entre setembro de 2025 e setembro de 2026, a batata teve aumento de 69,47% em Campo Grande. O feijão carioca acumulou alta de 27,81%, enquanto o tomate subiu 12,32% e a carne bovina de primeira, 6,13%.
Entre as maiores reduções no período estão o açúcar cristal, com queda de 26,04%, e o café em pó, que ficou 23,74% mais barato. Também houve recuo nos preços da farinha de trigo (-6,49%), do leite integral (-5,83%), do óleo de soja (-5,64%), da banana (-5,17%), da manteiga (-4,36%) e do arroz (-0,45%).
No acumulado de 2026, o tomate registrou alta de 39,53%, seguido pela batata (33,33%) e pelo feijão carioca (27,43%). Já o açúcar cristal e o café em pó tiveram quedas de 20,22% e 20,09%, respectivamente.
Alta da cesta básica foi registrada nas 27 capitais
A pesquisa do DIEESE e da Conab identificou aumento no custo da cesta básica nas 27 capitais brasileiras entre agosto e setembro de 2026. A coleta de preços foi ampliada de 17 para 27 capitais após a parceria firmada entre as instituições em 2024. Os resultados nacionais passaram a ser divulgados em agosto de 2025.
As maiores altas foram registradas em Florianópolis (7,61%), Rio de Janeiro (7,32%), Porto Alegre (5,93%), Belo Horizonte (5,72%) e Curitiba (5,39%).
São Paulo apresentou o maior custo para o conjunto de alimentos básicos, de R$ 922,51. Na sequência aparecem Florianópolis, com R$ 915,62; Rio de Janeiro, com R$ 913,46; e Cuiabá, com R$ 891,24.
A alta registrada no Brasil acompanha uma tendência observada internacionalmente. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o índice global de preços dos alimentos subiu 1,5% em setembro, alcançando 136 pontos, o maior nível desde novembro de 2022. Entre os fatores apontados estão problemas logísticos relacionados a conflitos internacionais e questões climáticas.

